Outubro 19, 2019
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Berlinale: O cinema português vai deixar a sua pegada no festival

Uma vez mais, o Festival de Berlim terá  uma forte presença do cinema português. Algo que se manifesta não só em filmes, como também em talento para avaliar os projetos dos outros. É o que sucede com o cineasta Diogo Costa Amarante convidado para júri das Curtas e a programadora Cíntia Gil, diretora do Doc Lisboa, no júri que atribui o prémio de Melhor Documentário. Para além disso, temos ainda três filmes em competição na Berlinale Shorts e ainda outros tantos na secção Fórum.

Sim, o cinema português deixará a sua pegada na 68ª edição do Festival de Berlim. Mesmo sem filmes na competição oficial, ao contrário do que sucedeu o ano transato com Colo, de Teresa Villaverde – um filme que chegará finalmente às nossas salas apenas no próximo dia 15 de março -, o nosso país conta este ano com uma representação robusta na Berlinale Shorts, com nada menos que três filmes.

Desde logo com Madness, o novo trabalho de João Viana, cineasta residente em Berlim e repetente na Berlinale, uma co-produção entre Portugal, França, Guiné-Bissau e Moçambique, sobre a realidade de Moçambique.

O estreante David Pinheiro Vicente concorre também com um filme distribuído pela Portugal Film, Onde o Verão Vai – Episódios da Juventude), um filme sobre o desejo da descoberta juvenil realizado em contexto escolar e produzido pela ESTC (Escola Superior de Teatro e Cinema).

Por fim, João Salaviza (vencedor do Urso de Ouro em 2012, com Rafa) apresenta Russa, em parceria com o brasileiro Ricardo Alves Jr. um filme sobre uma moradora do Bairro do Aleixo, concebido durante uma residência artística integrada num projeto de da autarquia Cultura em Expansão.

Há quem diga que é no Fórum, a secção dedicada aos projetos mais experimentais, que se descobre parte do melhor cinema da Berlinale. Nesse sentido, tanto Sandro Aguilar, como André Gil Mata e João Viana desejam confirmar essa realidade com os seus novos projetos.

Na sua segunda lona metragem, Sandro Aguilar propõe em Mariphasa uma reflexão e procura que se serve do cinema enquanto género; já André Gil Mata regressou à Bósnia-Herzegovina, onde já filmara How I Fall In Love With Eva Ras, para semear A Árvore.

Tal como fizera em 2013, com A Batalha do Tabatô, João Viana leva de novo a Berlim um novo projeto duplo, com Our Madness – para além da curta Madness –, relatando a deriva de um jovem em plena crise política em Maputo, que procura retirar a mãe de um hospital psiquiátrico para a levar para junto do pai que se encontra numa zona de confrontos militares.

Registe-se que já três cineastas portugueses conquistaram o cobiçado Urso de Ouro: João Salaviza, em 2012, com Rafa, ele que regressa este ano, com Russa; sucedendo-lhe depois Leonor Teles, em 2016, com Balada de um Batráquio, e o ano passado, com Diogo Costa Amarante a repetir o feito com Cidade Pequena, ele que foi convidado precisamente para o júri da Berlinale Shorts.

É o cinema português em movimento no festival de Berlim.

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