Julho 18, 2019
insider

ESPECIAL INDIELISBOA 2017

Raw, de Julia Ducournau

Descobertas para indie-dependentes!

Sim, é o IndieLisboa! De 3 a 14 de maio, todos os caminhos vão dar às salas da 14ª edição do festival dirigido por Carlos Ramos, Nuno Sena e Miguel Valverde, como sempre comprometido na divulgação do que de melhor se vai fazendo em matéria de cinema independente. Este ano com a descoberta urgente dos seus Heróis – Paul Vecchiali e Jem Cohen – ambos presentes no Indie – cujo percurso e cinematografias merece ser alargado a uma audiência maior.

Paul Vecchiali, Herói Independente

Paul Vecchiali, 86 anos, colaborador dos Cahiers do Cinéma e produtor dos primeiros filmes de Jean Eustache, é praticamente um desconhecido no nosso país. Salvo erro, nenhum dos seus filmes foi distribuído em Portugal. E, tanto quanto se sabe, o seu ultimo filme, Le Cancre, exibido o ano passado em Cannes, e que conta com o próprio e Catherine Deneuve, não terá ainda compromisso de distribuição. De Vecchiali veremos uma retrospectiva de 17 obras, com o apoio da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

Jem Cohen, Herói Independente

Jem Cohen até poderá ser mais conhecido, já que por diversas vezes algumas obras suas foram exibidas no Indie e no curtas de Vila do Conde. Seja como for, procura-se agora dar-lhe esse corpo, na descoberta de um conjunto de 14 obras, entre 1996 e este ano, que porventura ainda falta a muitos de nós.

No Foco da secção Silvestre vamos encontrar o trabalho da dupla Gusztáv Hámos, húngaro, e a alemã Katja Pratschke, cujo percurso foi influenciado pela fotografia, video e película, embora sempre encarado de um ponto de vista orgânico. Fica desde já no alto a fasquia para outra descoberta a trilhar novos caminhos da imagem em movimento.

Tradicionalmente, a secção IndieMusic movimenta um natural interesse, complementado, de resto, pela movida do IndieByNight. Uma das novidades deste ano é a inclusão de uma nova sala, o novo Cineteatro Capitólio/Teatro Raul Solado, a abraçar as nove sessões do IndieMusic ao ar livre, com a particularidade de se poder beber uma cerveja Musa.

Fica no ar ainda a presença de Stuart Staples, o frontman dos Tindersticks, a regressar ao nosso país, não para tocar, mas para apresentar o seu primeiro filme Minute Bodies: The Intimate World of F. Percy Smith, com direito a apresentação na Cinemateca.

A força do cinema tuga

Colo, Teresa Villaverde, o filme de abertura

O cinema tuga está bem e recomenda-se. As secções competitivas, de longas e curtas, estão a rebentar pelas costuras com propostas inovadoras dos novos caminhos do cinema português. Como sempre, a teimosia de um cinema ferozmente personalizado em crescente fonte de vitalidade. Já a secção internacional apresenta uma safra de propostas de novos realizadores a que estaremos obviamente atentos.

Colo, de Teresa Villaverde, exibido em competição na Seleção Oficial para o Urso de Ouro em Berlim, recebe honras de abertura oficial do Indie, refletindo o lado galopante de crise que afectou uma classe impreperada para lidar com o downgrade social. Mas Colo é apenas o porta estandarte de quatro dezenas de filmes nacionais – com seis longas e 18 curtas a concurso – que importa desbravar, naquela que é a maior embaixada portuguesa de sempre.

Para além destes, teremos ainda um conjunto de filmes, sendo que alguns deles ainda em versões de trabalho –  exibidos dentro das Lisbon Screenings, numa iniciativa da Portugal Film – Agência Internacional de Cinema Português, mais dedicado a programadores, distribuidores e agentes.

Lá mais à noite, como sempre estão garantidos os sustos e gritinhos na secção Boca do Inferno, tradicionalmente muito procurada pelo público. Este ano, com dois pontos de interesse fortíssimo – a descarga de adrenalina e balas, de Free Fire, de Ben Wheatley, num estudo esquemático da ação com uma piscadela de olho a Tarantino, e Raw, o tal filme choque que provocou manchetes o ano passado quando várias pessoas se sentiram indispostas na sua passagem na Quinzena, em Cannes. O filme da francesa Julia Ducournau, que aborda de uma forma provocante os temas das praxes académicas e o canibalismo, viria mesmo a vencer o prémio FIPRESCI.

Pelo menu disponível, parece-nos inquestionável que se prepara mais uma edição memorável do IndieLisboa. Seguramente para alimentar o vício dos dependentes de cinema independente.

 

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