Segunda-feira, Agosto 8, 2022
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MDOC: Plano Frontal, a fronteira como o espaço de conhecimento   

Numa altura em que  os portugueses vão de férias para o Algarve, é no alto Minho, com Espanha à vista, que o Festival Internacional de Cinema Documentário em Melgaço, oferece a possibilidade de descobrir Portugal através do cinema documental. O MDOC, que vai já na 8ª edição, desde 2014 (embora com uma interrupção na pandemia), arrancou este domingo com apresentação do Plano Frontal – Residência de Cinema e Fotografia, o ‘ecossistema de criação’ revelando a exposição de fotografia e os filmes realizados o ano passado.

 

Plano Frontal é o projeto artístico que inclui o trabalho histórico, antropológico e sociológico, que envolve a comunidade na vida cinematográfica e liga os jovens conhecer na vida do país. Em 2021 a Residência acolheu 12 estudantes de cinema e fotografia, seleccionados nas várias universidades pelo país todo, sob orientação de Pedro Sena Nunes, que compara o Plano Frontal com um “ecossistema de criação centrado no binómio ação-reação”.

Durante dez dias, os participantes divididos em grupos de três pessoas, mergulham na realidade de uma zona que não conhecem, com o objectivo de encontrar histórias e personagens interessantes que irão integrar filmes documentários. O resultado surpreende. Na cerimónia de abertura do festival foram apresentados quatro filmes que fazem uma ponte entre o passado, o presente e o futuro, entre Portugal e Espanha. Entre os habitantes de Melgaço e o espectador.

Em A Inverneira de Pontes, de Luís Miguel Pereira, Salomé de Seixas e Thiago Cavalheiro, aborda-se o tema sempre doloroso da imigração e o abandono dos espaços. França é o país para onde muitos vão e onde se perdem as memórias. O Sr. Manuel viveu em França e em outros países, mas voltou para dar uma segunda vida às ruínas da aldeia onde passou a sua infância e agora reconstrui ligações perdidas. O filme esboça um paralelo entre a vida dois homens e das abelhas quase como se fossem as próprias pedras a contar as histórias. De resto, uma realidade com “fronteira” em Até ao Amanhecer, de Henrique Queirós, J. L. Peixoto e Sebastião Guimarães, embora mais focada na imigração local. São os DJ’s e funcionários de clubes e discotecas da zona que assinalam as fortes mudanças em Melgaço e o crescente envelhecimento das suas gentes.

Uma vez mais, o elemento de tempo, o passado e o presente, entre a fronteira de Portugal e Espanha confere a Cristóval-Pontebarxas, de Alexandra Guimarães, Gonçalo L. Almeida e Manuel Prata, o retorno a uma dinâmica antiga: no caso, relatando o retorno ao contrabando das comunidades que voltaram a dedicar-se ao contrabando, entre os dois países, atravessando o rio Minho, quando as fronteiras se fecharam dirante a pandemia.

Alua Pólen do trio Beatriz Walviesse Dias, Carolina Pereira e Maria Inês Lima, quase cumpre uma sintonia com o recente documentário de João Mário Grilo Vierarpad. Pelo menos através da comunicação de cartas de amor escritas por artistas pintores. No caso de Grilo, Maria Helena Vieira da Silva a Árpád Szenes; em Alua Pólen, Nelo e Paula, as mais de 500 cartas de amor escritas por estes dois pintores da Portelinha, em Castro Laboreiro. E tal como em Vieirarpad, ambos os títulos são variantes dos nomes, como assinaturas de histórias de amor.

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