Início Entrevistas João Mário Grilo sobre Vieirarpad: “O meu objectivo fundamental era pensar o que seria o filme se eles o pudessem fazer”

João Mário Grilo sobre Vieirarpad: “O meu objectivo fundamental era pensar o que seria o filme se eles o pudessem fazer”

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João Mário Grilo sobre Vieirarpad: “O meu objectivo fundamental era pensar o que seria o filme se eles o pudessem fazer”
Declarações do cineasta no final de uma entrevista (realizada em 2019) a propósito de um projecto académico (o seu seminário de realização na Nova, FCSH), a abordar também o trabalho paralelo em cinema.Gostaria de lhe perguntar até que ponto esta viagem do seminário não foi vivida por si da mesma forma para tentar completar o seu próximo filme. Enfim, imagino que o processo de montagem também seja um processo complexo…No caso presente, é muito complicado, neste filme sobre a Vieira e o Arpad. Complicado porque mexe com o próprio mercado da arte e o valor da arte e dos artistas.

O filme já tem título?

Vai chamar-se Vieirarpad, porque esse é, para mim, o nome da criatura que fizeram nascer. Eles os dois construíram uma criatura. Que tem esse nome. O filme anda à volta da correspondência deles. E anda à procura disso, dessa criatura, que é uma criatura que produziu coisas: uma história, pintura, memórias. O mais complicado do filme foi pôr a pintura e o desenho a contarem a história. Porque eles pintaram muita coisa. A Vieira tem uma obra brutal, o Arpad também pintou imenso, incessantemente. E pintaram-se muito um ao outro. E pintaram também muito, a meu ver, a história deles quando pintavam outras coisas.

Há aí uma narrativa.

O filme é dividido em três partes. Um dispositivo dominado pela biografia, por aquilo que é uma biografia. Há também um encontro com o Ma Femme chamada Bicho, o filme do José Álvaro de Morais. O meu objetivo fundamental era pensar o que seria o filme se eles o pudessem fazer. Eles prepararam tudo muito bem. A Vieira quase nunca foi fotografada a rir, por exemplo, temos a pintura, as cartas que sobreviveram. É uma espécie de depósito do passado, que é feito para o futuro. Eu recebi isso tudo e limitei-me a ser um intermediário.

Espero que daqui a uns meses possamos vir a falar dele, talvez num outro contexto.

Neste momento a minha preocupação é acabá-lo. Falta o grading, a mistura.

Tem já uma data prevista?

Não. O filme tem uma co-produtora brasileira, a Gullane, com uma implantação internacional. Acho que a estratégia de lançamento do filme terá que ser pensada com eles.

E a produção portuguesa?

A produção portuguesa é da Zulfilmes do Fernando Centeio, com quem eu trabalhei numa série de coisas, como O Tapete Voador e em outros projectos para a Fundação Gulbenkian, em que ele foi produtor. Mas com esta entrada do Brasil o filme ganhou outra dimensão que exorbitou e se envolveu com o mercado da arte. Mas foi um filme muito particular. E uma grande parte daquilo que ele vai ser é aquilo que ele foi. Há uma inscrição muito forte do modo como o filme foi feito e produzido. Mas que há a procura de qualquer coisa, isso sim. Algo que cria essa figura de Vieirarpad, essa personagem que diria andrógina… Vamos ver.

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