Agosto 5, 2021

Berlinale: Eu, robot “I’m Your Man!”

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Maria Schrader é uma atriz bastante conhecida na Alemanha. Em particular na Berlinale, onde ganhou o Urso de Prata pelo papel em Aimée e o Jaguar (1999). Ainda o ano passado, durante a primeira vaga da pandemia, numa altura em que o público mudou para as plataformas online, apresentou a série de sucesso Unorthodox sobre uma garota da comunidade judaica ortodoxa de Nova York que fugiu para a Europa.

Regressa agora ao papel de realização, onde não é estreante, com I’m Your Man. Também aqui Schrader continua a explorar a alma humana e, acima de tudo, a feminina. A personagem principal é Alma (Maren Eggert) uma investigadora no Museu Pergamon, em Berlim, sem família e filhos, que decide participar num teste aceitando a companhia dum robô macho, Tom (Dan Stevens) demasiamente realista já que desenvolvido mesmo para ser um parceiro ideal.

Um aspecto nada incomum numa época em que toda a nossa vida está intimamente ligada aos gadgets, quando muitas vezes é impossível sem eles, quando cada vez mais se fala em inteligência artificial, assumindo que parece ser capaz ainda mais humana do que as pessoas. No entanto, por mais atraente e prestável (mesmo nos limites da perfeição) embarra sempre com a evidência de ser apenas um ‘robot’.

De resto, o tema tem do romance entre humano e androide tem sido abordado de uma forma inteligente por diversas vezes.

O filme também lê claramente a ideia de substituir a comunicação ao vivo por dispositivos e, em geral, a relutância de uma pessoa moderna em desfazer-se da ilusão de não estar sozinha. Todas essas ideias são apresentadas de forma simples e atraente, no melhor estilo de comédia romântica, apelativa para um grande público com humor, ironia e uma nota de tristeza.

Pela forma hábil como Schrader evita os lugares comuns de um conto desta natureza, adaptando a história de Emma Braslavsky, aproveitando bem as nuances de um romance perfeito sempre à procura dos imperfeitos traços de humanidade. Não deixa de ser um projecto atraente. Pena é não arriscar a sair de um lado demasiadamente confortável, portanto, nesse sentido, não escapar a uma certa previsibilidade da narrativa.

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