Dezembro 1, 2020

IndieLisboa: Curtas portuguesas do nascimento ao infinito

Moço

Entre a programação diversificada do Indie, as curtas portuguesas são sempre a promessa do cinema emergente. Por um lado, é uma oportunidade descobrir novos nomes e conhecer os respetivos autores, mas também a forma ideal de contar histórias em histórias com vontade de se sintonizar com o espetador. Pois tal como na literatura, há autores que trabalham melhor no pequeno formato. Bernardo Lopes, Maria Mire, João Fazenda e Ana Maria Gomes deixaram-nos um percurso fílmico o nascimento ao infinito no bloco Curtas 1 da competição nacional do IndieLisboa.

Na apresentação de Moço Bernardo Lopes disse que se tinha baseado nas lembranças da infância. Até para filmar ele saiu de Lisboa e foi com a equipa ao Algarve, onde não nasceu e viveu até aos 18 anos. Moço é uma espécie de Ulisses, uma viagem feita em um dia. Só que o protagonista não é um Leopold Bloom, é um rapaz que não se sente confortável em casa. A sua viagem diária acaba por finalmente voltar para a casa. Mas obviamente aquele dia ficou marcante, de uma certa forma foi um ato de iniciação, de crescimento. Um passo para o caminho que sai da infância para a vida adulta.

parto sem dor

Mas antes de ser adultos somos crianças. Qualquer criança nasce. O ato de nascimento é doloroso. A esse ato (mas não só) é dedicado o documentário Parto Sem Dor de Maria Mire. A realizadora conta-nos a história de uma médica obstétrica Cesina Bermudes cujas gravidas davam luz aos seus bebés sem gritar. A história de uma pessoa cruza-se com a história do país, com as suas páginas mais dolorosas, tal como e processo de parto.

A história de qualquer país também se passa pelas mesas. À mesa conversamos, partilhamos notícias, celebramos momentos mais importantes. Mesa assim é que se chama a animação de João Fazenda. O realizador juntou caracteres e idades diferentes transformando um almoço de festa numa metáfora da vida. Esse filme é uma abordagem das questões do tempo e da contemporaneidade realizada de uma forma divertida.

Mesa

Juntar-se a uma mesa de casamento não se importavam os habitantes da aldeia chamada Bustarenga que deu o título ao filme de Ana Maria Gomes. A realizadora sempre passa férias nessa aldeia. E no ano passado decidiu falar com as mulheres de lá sobre o amor. O filme é o verdadeiro must see. É uma comédia documentaria que não trata só da perceção da vida naquela aldeia, mas faz um espelho para várias aldeias e até vários países. O programador do Indie Miguel Valverde a apresentar o filme disse, que tinha sido o primeiro escolhido para a competição nacional de curtas-metragens e afetou a escolha do programa todo. Assim, já nos apetece ver toda a competição. Quem perdeu o conjunto Curtas 1 pode assistir a segunda projeção no dia 3 de setembro.

Bustarenga

 

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