Maio 31, 2020

Rui Poças e a fotografia de ‘Frankie’: “Achei que o sol poderia aparecer de repente”

Ao prolífico diretor de fotografia português Rui Poças deve-se parte da magia final de ‘Frankie’, do americano Ira Sachs. É o plano final em que o sol acede a aparecer e a conferir um halo especial ao cair do pano deste filme de atores realizado no palco natural na Serra de Sintra. Colhemos este pequeno depoimento logo após a conferência de imprensa em Cannes, onde o filme foi exibido na secção competitiva para a Palma de Ouro.

Insider – Descreve como captaste aquele genial plano final do filme tão elogiado pelo Ira Sachs?

Rui Poças – -Eu nasci e cresci ao pé do mar (é do Porto, de Valadares). Naquele dia estávamos a filmar e o tempo estava totalmente coberto. Depois de termos feito dois takes que nos satisfizeram, às tantas percebi que o sol poderia surgir de repente. Havia um pôr-do-sol no mar, mas escondido uma placa imensa de neblina. No fundo foi um efeito muito simples, mas que fazia muito bem ao plano. Tive de convencer o Ira, até porque tivemos de esperar e os atores estavam a apanhar frio. Em si, o plano não tem nenhum efeito. Foi tal e qual como aconteceu.

Pois, mas não deixa de ser notável. Já agora, o filme foi todo feito sem efeitos?

Tentamos fazer como o Rohmer, Ele era o nosso santo. Aliás, o filme é completamente ‘rohmereano’.

Quanto tempo durou a rodagem?

Foram nove semanas de preparação, mas acabaram por ser seis, com nove horas de trabalho por dia.

Como foi trabalhar junto deste grupo de atores internacionais, em particular com a Isabelle Huppert?

Ela é fantástica. Às vezes apercebia-me de como era um privilégio estar aqui com atores deste calibre. Já tinha tido oportunidade de estar com atores famosos, mas talvez não tanto como aqueles tinha à minha frente. E perceber como resolvem as situações. Cada um de maneira diferente. É incrível.

Escusado será dizer que o teu trabalho com o Vasco Pimentel já é quase químico…

Já perdi a conta das vezes que trabalhamos junto. Foi há mais de 20 anos. Portanto, somos quase casados.

É o que dizia o Ira, o facto de saberem muito de cinema ajudou o filme.

O Vasco também é um cinéfilo e um apaixonado pelo cinema. Quando trabalhas com pessoas assim é muito diferente. Hoje em dia grande parte das equipas não são cinéfilas, são mais técnicos.

Imagino que estejas cheio de projetos…

Sim, cheio de projetos. Mas estão sempre a mudar. Por isso não me peças para dizer. Não por uma questão de confidencialidade, mas porque pode tudo mudar. O que posso dizer é que são todos fora. E em vários continentes.

 

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