Outubro 18, 2019
insider

‘Patrick’ de Gonçalo Waddington sonha com a Concha de Ouro

Afinal de contas, pode não passar de um sonho, mas não deixa de ser uma possibilidade de Patrick estar dentro dos prémios do SSIFF. Seja ou não a Concha de Ouro. Pelo menos, a dar ouvidos à opinião de vários colegas. Mesmo não sendo uma opinião unânime, percebeu-se a simpatia pelo potente drama do jovem francês vítima de tráfico humano que acaba por regressar a Portugal vários anos depois para descobrir uma vida nova. No fundo, uma aproximação ao caso do Rui Pedro, desaparecido em 1998 sem nunca mais aparecer, conforme Gonçalo Waddington nos confirmou em entrevista.

Esta co-produção luso-germânica (representada em Portugal pela Som é a Fúria, de Luís Urbano e Sandro Aguilar) começa forte, muito forte mesmo, algures em França (ainda que filmada na Alemanha, por razões de produção). É aí que conhecemos o mundo do jovem Patrick (exelente escolha de Hugo Fernandes), um tipo insinuante e sedutor muito envolvido na vida nocturna francesa e com uma ligação com um homem mais velho. Será apenas em virtude de uma festa que passa um pouco das marcas que a polícia intervém e acaba por o sinalizar como Mário, o jovem desaparecido. É aí que começa um novo filme, na realidade portuguesa da Sertã (uma escolha de Waddington pelo conhecimento e proximidade familiar), pleno de descobertas e até de uma possibilidade de um amor saudável pela personagem de Alba Baptista, uma (ainda muito jovem) atriz mas em grande demanda.

Pode dizer-se que é um filme conseguido, desde logo pela habilidade com que Waddington vai gerindo estas duas faces da vida de Mário e a forma como capta estes universos diversos. Percebe-se que é um olhar habituado a ver cinema e que soube retirar a verdade de todas as suas personagens, mesmo quando é o próprio filme (e as obrigações da co-produção) a lançar novos desafios. Com todo o mérito na competição de San Sebastian e a confirmar o ano de exceção do cinema português.

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