Novembro 14, 2019
insider

The Beach Bum – A Vida Numa Boa na ‘bad trip’ de Harmony Korine

IndieLisboa – filme de abertura

The Beach Bum – A Vida Numa Boa foi o filme escolhido para abertura da 16ª edição do IndieLisboa. Digamos que daí nada de mal vem ao mundo. Até porque a mais recente loucura de Harmony Korine, devidamente embaciada pelos ecessivos vapores de cannabis, mais parece a concretização mágica do famigerado projeto de lei do PSD para legalização da erva com fins recriativos. A concretização vem embalada no delirante ritual em que um Matthew McConaughey em modo zombie serve de MC de serviço nesta ‘bad trip’ de Korine, como o boémio e niilista ‘vagabundo de praia’  Moondog. Aqui ao lado do despredício dramático de talentos como o rapper Snoop Dogg, Isla Ficher, Jonah Hill ou Martin Lawrence, entre outros.

Ainda assim, cumpre-se a função de ‘filme de abertura’ de festival, em que mais ou menos vale tudo. Talvez aliada à coincidência da estreia comercial do novo filme de Harmony Korine cuja proximidade temática está ligada ao Indie. Aliás, recordada por Miguel Valverde, um dos diretores do IndieLisboa, na cerimónia de abertura, confirmando que já seguia a carreira de Korine ainda antes da primeira edição do festival. Só que esse património indie, quase artesanal ou pelo menos com muitos poucos recursos, que nos deu o guião de Kids, em 1995, antecedendo a estreia na realização de Korine dois anos depois com o intenso e cru Gummo, a par de diversas curtas e clips, se revela num despredício de dinheiro ao longo de uma deriva desinspirada por Miami e pelas Keys. O mesmo dizer da ineficácia em recuperar o humor cáutico de Spring Breakers que surprrendeu o festival de Veneza, em 2012.

No entanto, o nosso espanto como que se apazigua quando escutamos a voz de Peggy Lee no tema Is that all there is. Como se de repente acordassemos da tal má trip e tudo fizesse sentido. Mesmo dentro do lado mais absurdo. Na ressaca de um charro que nos transportou para um espaço de pura letargia. Afinal de contas, é apenas um filme. Por isso cantamos…

Is that all there is, is that all there is.
If that’s all there is my friends, then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze and have a ball.

(O IndieLisboa continua até ao próximo dia 12 de maio).

Sobre Paulo Portugal 809 artigos
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