Agosto 23, 2019
insider

A noite dos Óscares rimou com O Livro Verde. Mas Roma ainda ameaçou.

Green Book

A noite dos Óscares não foi grande coisa, pois não? Ficou-se pelo sofrível, pelo politicamente correto. Pelos sinais dos tempos. Sem grandes vencedores, sem apresentadores e com poucos momentos dignos de nota. E até com muita gente a pensar se não teria sido melhor ver o compacto no dia seguinte. Mas, hey, são os Óscares, em que se usa e abusa da palavra Hollywood, estatuetas e glamour, ainda que não de cinema. Pelo menos, o cinema com C grande.

A exceção foi mesmo um filme a preto a branco e falado em castelhano. Nesse sentido, Green Book é também sobre um negro (Mahershala Ali, que junta o Óscar de Secundário ao principal de há dois anos com Moonlight) e um branco (Viggo Mortensen sem a densidade de outros tempos), se bem que numa história modestíssima e nada original. Ah, tivemos ainda a ‘consolação’ lusitana refletida na equipa de som de Free Solo, o melhor documentário.

Acima de tudo foi um serão em que a Academia quis mostrar ao mundo que ainda estava viva. Por isso mesmo, diante da onda de euforia de Roma (e da Netflix) a confirmar os inevitáveis galardões de Melhor Realização para Alfonso Cuarón e Melhor Filme Estrangeiro, claramente a ficar para a História como o grande filmes dos Óscares deste ano – atribuiu ao envergonhado Green Book o prémio da noite, como uma espécie de desfibrilhador a devolver-lhe um sinal de vida. Até porque essa ‘vida’ veio antes do inesperado sucesso de Bohemian Rhapsody, a ganhar mais do que se esperava (em quatro categorias), seguramente a cavalgar a euforia do bilião de dólares no box office e a festejar o mimetismo de Rami Malek na melhor interpretação masculina. E aqui que falta fez Ethan Hawke, no brilhante First Reformed, de Paul Schrader, claramente um dos grandes filmes do ano passado (se não mesmo o melhor).

O que tivemos mais? Pois tivemos o discurso político de Spike Lee em modo ‘do the right thing’ para The BlaKkKlansman – O Infiltrado e…. pouco mais. O Óscar de Melhor Atriz para Olivia Colman foi também a salvação de A Favorita, do grego Yorgos Lanthimos, a superar a favorita Glenn Close, merecedora do prémio pelo que fez em Mulher, bem como pela sua riquíssima carreira. Tivemos ainda a Marvel a espreitar o Óscar (Black Panther), mas não a solenidade clássica e transcendental de First Reformed, de Paul Schrader, tal como também não o nome de Bradley Cooper no lote de realizadores, pelo bravo trabalho em A Star is Born, bem mais merecedor, por exemplo, de Adam McKay, pelo esquecível Vice. Foram estes os Óscares. Agora volta tudo ao normal.

 

Vencedores e nomeações

Melhor filme
Roma, de Alfonso Cuarón
Green Book – Um Guia para a Vida, de Peter Farrelly
A Favorita, de Yorgos Lanthimos
Assim Nasce Uma Estrela, de Bradley Cooper
Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer
Black Panther, de Ryan Coogler
BlacKkKlansman: O Infiltrado, de Spike Lee
Vice, Adam McKay

Melhor realizador
Alfonso Cuarón, por Roma
Spike Lee, por BlacKkKsman: O Infiltrado
Pavel Pawlikowski, por Cold War – Guerra Fria
Yorgos Lanthimos, por A Favorita
Adam McKay, por Vice

Melhor actor
Christian Bale, por Vice
Bradley Cooper, por Assim Nasce Uma Estrela
Willem Dafoe, por À Porta da Eternidade
Rami Malek, por Bohemian Rhapsody
Viggo Mortensen, por Green Book – Um Guia para a Vida

 

Melhor actriz
Yalitza Aparicio, por Roma
Glenn Close, por A Mulher
Olivia Colman, por A Favorita
Lady Gaga, por Assim Nasce Uma Estrela
Melissa McCarthy, por Can You Ever Forgive Me?

 

Melhor actor secundário
Mahershala Ali, por Green Book – Um Guia para a Vida
Adam Driver, por BlacKkKsman: O Infiltrado
Sam Elliott, por Assim Nasce Uma Estrela
Richard E. Grant, por Can You Ever Forgive Me?
Sam Rockwell, por Drive

 

Melhor actriz secundária
Amy Adams, por Vice
Marina de Tavira, por Roma
Regina King, por Se Esta Rua Falasse
Emma Stone, por A Favorita
Rachel Weisz, por A Favorita

 

Melhor filme de língua estrangeira
Cold War – Guerra Fria, de Pavel Pawlikowski
Cafarnaum, de Nadine Labaki
Nunca Deixes de Olhar, de Florian Henckel von Donnersmarck
Roma, de Alfonso Cuarón
Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões, de Hirokazu Koreeda

 

Melhor Argumento Original
A Favorita
No Coração da Escuridão
Green Book – Um Guia para a Vida
Roma
Vice

Melhor Argumento Adaptado
A Balada de Buster Scruggs
BlacKkKlansman – O Infiltrado
Can You Ever Forgive Me?
Se Esta Rua Falasse
Assim Nasce Uma Estrela

 

Melhor filme de animação
Ilha dos Cães, de Wes Anderson
The Incredibles 2: Os Super-Heróis, de Brad Bird
Mirai, de Mamoru Hosoda
Ralph vs. Internet, de Phil Johnston e Rich Moore
Homem-Aranha: No Universo Aranha, de Peter Ramsey, Rodney Rothman e Bob Persichetti

Melhor documentário
Free Solo, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi
Hale County This Morning, This Evening, de RaMell Ross
Minding the Gap, de Bing Liu
Of Fathers and Sons, de Talal Derki
RBG, de Betsy West e Julie Cohen

Melhor curta-metragem
Detainment, de Vincent Lambe
Fauve, de Jeremy Comte
Marguerite, de Marianne Farley
Mother, de Rodrigo Sorogoyen
Skin, de Guy Nattiv

Melhor curta-metragem de animação
Animal Behaviour, de Alison Snowden e David Fine
Bao, de Domee Shi
Late Afternoon, de Louise Bagnall
One Small Step, de Andrew Chesworth e Bobby Pontillas
Weekends, de Trevor Jimenez

Melhor curta-metragem documental
Black Sheep, de Ed Perkins
End Game, de Rob Epstein e Jeffrey Friedman
Lifeboat, de Skye Fiztgerald
A Night at the Garden, de Marshall Curry
Period. End of Sentence., de Rayka Zehtabchi

 

 

 

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