Abril 25, 2019

Berlinale: na edição 69 são as realizadoras que ficam em cima. Viva a igualdade de géneros

A Berlinale aí está e promete muito cinema e animação até ao próximo dia 17, data em que será revelado o Urso e Ouro de 2019. Uma edição que será marcara pela igualdade de géneros e pelos filmes de causas. Se vamos ter um Urso de Ouro que reflita esses problemas, isso será o aliciante problema para o júri oficial presidido por Juliette Binoche resolver.

Seja como for, este deverá ser um mesmo festival singular. E, quem sabe até, servir de exemplo para modelos futuros. Mesmo com menos estrelas (Holywood está praticamente ausente) mas seguramente com mais causas.  Desde logo, importa referir que 2019 será o derradeiro ano de Dieter Kosslick como diretor, já que a partir de 2020, entra em funções a dupla Mariette Rissenbeek, atualmente à frente da German Films, como diretora executiva, e ainda Carlo Chatrian, que deixa o festival de Locarno e passa a assegurar a direção artística da Berlinale.

Kosslick deixa para trás um enorme legado desde que assumiu os comandos em 2001, e que conseguiu impor o festival como um forte evento de público, mas também reforçar a sua abertura à discussão de causas. Talvez por isso, nesta derradeira edição Kosslick tenha privilegiado a igualdade de género e ignorado um pouco o glamour e o lado autoral. Por, aqui, olhamos também para a relevante presença portuguesa, em particular para A Portuguesa, o filme de Rita Azevedo Gomes, a exibir logo no primeiro dia, de resto a reforçar esse ‘toque’ feminino.

De resto, devidamente esta nota é comprovada com o ‘estudo de género’ realizado pelo festival revelando que 45% dos cineastas autores dos 400 filmes presentes são mulheres. Ou seja, nada menos que 191 realizadoras a mostrar os seus trabalhos de cinema. Algo que se reflete também nos vinte filmes em competição para o Urso de Ouro, em que 8 são cineastas femininas. Uma enorme mudança em relação ao ano passado, que se ficou por apenas 21%, embora sagrando vencedora a romena Adina Pintilie, com Touch Me Not.

Este ano, os olhos estão já voltados para os credenciados, como o turco Fatih Akin, com o caso de misoginia, inspirado em factos reais, em The Golden Glove, bem como a relação lésbica de Elisa & Marcela assinada pela espanhola Isabel Coixet, ou os casos de pedofilia recordados por François Ozon em Grâce à Dieu, se bem que tudo se possa esperar do cinema mais desconhecido, como da macedónia Teona Strugar Mitevska, ao revelar o caso de abuso na sociedade mecedónia em God Exists, Her Name is Petrunya. Seguramente, muitas histórias para contar. E também em português, como o brasileiro Wagner Moura (o protagonista de Tropa de Elite, vencedor do Urso de Ouro em 2008), a assumir em Marighella o controle da realização num registo que recorda a chegada ao poder da ditadura militar. Para além destes, merece particular referência a presença de Agnès Varda, com a sua nova reflexão sobre o cinema e a vida, no muito aguardado Varda, par Agnès.

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