Novembro 13, 2018

Ryan Gosling vive a sua ‘space odissey’ em ‘O Primeiro Homem na Lua’

Damien Chazelle e Ryan Gosling repetem um ‘pas de deux’ na odisseia espacial O Primeiro Homam na Lua, seguramente um filme destinado a atingir as estrelas. Ainda que agora a dança seja outra. Apesar de não estar totalmente afastada. Assim se recupera a aventura da conquista espacial como envio do primeiro astronauta à Lua. Foi em 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong converteu em realidade o que até então era apenas ficção científica. E essa foi também a concretização de um projeto de Chazelle, ainda muito antes de La La Land.

Como rever hoje esse momento? Talvez seja importante regressar a esse período em que a aventura espacial concentrava toda a atenção. Desde logo nos ecos da cultura pop. Bowie, por exemplo, uma semana antes de Neil Armstrong saltitar na lua, lançava o single Space Oddity. Por aqui Chazelle centra-se na biografia oficial de Armstrong, First Man: The Life of Neil A. Armstrong, com data de 2005 e assinatura de James R. Hansen.

O que temos é um filme de evocação científica, desde logo pela forma como recorda o lado ‘artesanal’, mesmo redumentar, em que os primeiros pioneiros do espaço pilotaram naves que hoje olhamos debaixo de uma lente vintage. É claro que o canadiano Gosling se assume como uma escolha adequada para o introspetivo Armstrong, e já a britânica Claire Foy mostra que sabe assumir um perfil americano no papel da esposa de Neil surpresa, mesmo que numa versão submissa das mulheres da altura. Ainda assim, fascina pela forma como contém a emoção e a gere em lume brando ou quando dança com o marido Lunar Rhapsody. Apesar da seleção e gestão do cast ser de uma forma geral irrepreensível, sobra ainda espaço para atentar no detalhado trabalho de câmara.

Por falar de câmara, podemos igualmente evocar a dança com que o realizador acompanha o dramatismo das cenas. Seja nas mais intensas sequências de ação, normalmente nos cubículos das naves, mas ainda em algumas sequências familiares. É muito por aqui, nesta gestão do lado histórico, na verteste realista da época, e ainda a emoção humana que o filme sobe às estrelas.

Tal como o próprio já referiu, O Primeiro Homem da Lua foi também o primeiro projeto que Chazelle anunciou a Gosling. E sim, desta vez, o menino de 33 anos consagra o mesmo cinema que deseja ser visto e ter público, com uma presença muito forte do cinema de aventura, mas que nos convida a entrar. Mesmo correndo o risco do déjá vu, Damien acaba por sair por cima de quase todos os ‘obrigatórios’. Desde logo, uma homenagem a Os Eleitos, de 1983, de Philip Kaufman, uma vez que percorre parte desse período, embora sem prestar vassalagem. De resto, fica uns furos acima do Apollo 13 de Ron Howard e mesmo de Gravidade,de Alfonso Cuarón. Já Kubrick pertence a outra estirpe e nem o seu lado mais filosófico faz parte das suas intenções.

 

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