Novembro 13, 2018

Caminhos do Cinema Português: a urgência e pujança de uma edição para descobrir

Onde o Verão Vai (episódios da juventude)

A cidade de Coimbra será uma vez mais a capital do cinema português. Pelo menos, entre os próximos dias 23 de novembro e 1 de dezembro, período em que decorre a XXIV edição dos Caminhos do Cinema Português.  E assim é desde 1988, ano em que arrancou este certame dedicado à produção nacional. E que vai em assinalado crescendo. Segundo os números divulgados pela organização do CCP, este ano receberam 762 inscrições, número que duplica largamente o do ano passado (com 316), sendo que 323 vêm de Portugal e as restantes de 65 países, incluindo uma forte presença do cinema brasileiro.

A expetativa está assim ao rubro para descobrir este lote de longas, curtas, documentários e animações nas diversas secções competitivas. Desde logo, uma das principais novidades reside em “Outros Olhares”, em que se destaca uma vertente mais ensaísta e experimental. Aí se integram, por exemplo, os projetos mais irreverentes de Edgar Pêra, O Espetador Espantado, de Jerónimo Rocha, Cimbalino, ou Lupo, de Pedro Lino.

Seja como for, o mote é logo no primeiro dia com as “Fusões no Cinema”, em São João da Madeira, antecipando em um dia a competição “Selecção Caminhos”, no dia 24, a decorrer no Teatro Académico Gil Vicente. Valerá a pena destacar o documental O Turno do Dia, de Pedro Florêncio ou a reverie fantástica de Edgar Pêra, Caminhos Magnéticos. Ainda assim, muitas surpresas serão de esperar numa programação que se antecipa como diversa e que conta com 26 longas, 110 curtas, 17 documentários e 21 animações.

Pelo meio teremos ainda algumas antestreias, como Até que o Porno nos Separe, de Jorge Pelicano, mas também Amantes na Fronteira, de Atsushi Funahashi, Pedro e Inês, de António Ferreira, ou A Árvore, de André Gil Mata. Algo que serve de plataforma para os Prémios da Federação Internacional de Cineclubes, de Imprensa CISION e da categoria competitiva, a “Seleção Ensaios”, em conjunto com as academias nacionais e internacionais.

De referir ainda o documento  Manuel Casimiro: Pintar a Ideia, de Isabel Gomes, um em que se segue o percurso de quatro décadas do artista visual Manuel Casimiro, bem como Rabo Negro, assinado por Tiago Silva, ou ainda Onde o Verão Vai (episódios da juventude), o multipremiado filme de David Pinheiro Vicente. O comunicado do CCP sugere ainda alguns dos títulos de academias estrangeiras, como Son of A Dancer, de Georges Hazim, ou Irony, de Radheya Jegatheva. De mencionar ainda o documentário Vidas Cinzas, de Leonardo Martinelli, ou a animação Agouro, de David Doutel e Vasco Sá.

Atentos a toda esta oferta de cinema estarão os membros de um júri bastante eclético, que integra técnicos (o montador Tomás Baltazar e o colorista Nuno Garcia), bem como jornalistas (Fátima Lacerda, também programadora, e Vasco Câmara, editor do Ípsilon do jornal Público), realizadores (Marco Martins e Catarina Alves Costa) distribuidores (Nuno Gonçalves), uma atriz (Joana Pais de Brito) e até um youtuber (Ricardo Esteves).

Aqui fica apenas uma breve apresentação do que poderá ser visto nesta nova edição dos CCP. Em breve, dedicaremos um olhar mais detalhado sobre as propostas mais marcantes na cobertura exaustiva a dedicar pelo Insider. Vêmo-nos em Coimbra.

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