Setembro 20, 2018

Veneza 75: ROMA de Alfonso Cuarón e Netflix vencem Veneza: É o Amor, é o Amor!!

ROMA, de Alfonso Cuarón, Leão de Ouro - Melhor Filme Veneza 75

Willem Dafoe e Olivia Colman premiados pelas melhores interpretações e Jacques Audiard melhor realizador. László Nemes vence prémio FIPRESCI

Vamos ver se consigo pronuciar bem o nome, disse sorridente o mexicano Guillermo del Toro, presidente do júri, da 75ª edição do Festival de Veneza. Alfonso Cuarón!, sentenciou apenas a confirmar a opção unânime da crítica internacional em relação a ROMA. Aliás, o palmarés foi (quase) isento de teve surpresas. E também jogou pelo seguro, como aliás costuma ser habitual em Veneza. Ganhou Cuarón e ganhou também a Netflix e o patrão Ted Sarandos ao atingir o prémio máximo com um filme que, em maio passado, fora afastado da competição no festival de Cannes em virtude da lei francesa obrigar a que os filmes só possam passar a plataformas streaming três anos após a sua estreia em sala. Naturalmente, Veneza recebeu o filme de braços aberto, bem como diversos outros em competição e em diversas secções. Com esta vitória da Netflix num festival que ganha peso ano após ano, é de crer que muito vai mudar já para o ano.

Willem Dafoe, Melhor Ator, At Eternity’s Gate

No plano interpretativo confirmou-se também o esperado, com Willem Dafoe, na sua interpretação de Van Gogh, em At Eternity’s Gate, no muito convencional filme de Julian Schnabel, e Olivia Colman, no vibrante e provocador The Favourite, em mais um filme em língua inglesa do grego Yorgos Lanthimos.

A diferença é que Dafoe se limita a fazer o seu papel numa personagem que se cola naturalmente à sua fisionomia – são gritantes as parecenças e tremenda sempre a sua entrega. Digamos que Dafoe faz o filme. Mais trabalho de composição de Olivia Colman, numa quase caricatura da monarca inglesa Anne, apanhada no centro de uma disputa de atenções, entre Emma Stone e Rachel Weisz. Aliás, Lanthimos viria a ganhar também o Prémio Especial do Júri, o segundo prémio, a confirmar, aliás, as opiniões da imprensa no festival.

Jacques Audiard recebeu o prémio de realização pelo seu olhar europeu ao western, em The Sisters Brothers, com Joaquin Phoenix e John C. Reilly. Ainda que haveriam outras opções possivelmente até bem mais calhadas. Mesmo sem ser um filme notável, o prémio do guião para Joel e Ethan Coen, em The Ballad of Buster Scruggs, acaba por ser mais aceitável, ainda que seja apenas mais um filme oscarizável que começa a ser regular no festival italiano.

Em todo o caso, valerá a pena notar que ficaram afastadas todas as propostas mais radicais, como Nuestro Tiempo, do outro mexicano, Carlos Reygadas, seguramente o mais ousado na sua conceção de cinema. Ou mesmo Sunset, do húngaro László Nemes (mas que venceu o prémio FIPRESCI), a prolongar a sua visão complexa do cinema.

Não surpreende também a escolha, dugamos de algum sabor político, a reconhecer o filme da australiana Jennifer Kent, em The Nightingale. Ao que se somou ainda o reconhecimento do actor Baykali Ganambarr, recebendo o prémio para o melhor novo talento. Emenda assim o festival a gaffe de incluir apenas uma realizadora na competição, reforçado até pelo facto desse thriller de época vincar precisamente esse lado da exploração feminina na Tasmânia. Para além disso, The Nightingale ficou ainda marcado pela bronca provocada por um jornalista italiano que lançou um impropério à realizadora na sessão de impresa, acabando por provocar um tsunami de críticas internacionais que o levou a retratar-se mas também a ver a sua acreditação revogada.

Foram estes os prémios de Veneza 75. No fundo, a consagração aguardada dos eleitos, inegavelmente com muito glamour. Mas com pouco rasgo de asa, diga-se.

 

PALMARÉS VENEZA 73

COMPETIÇÃO

Prémio Marcello Mastroianni (Best New Talent) – Baykali Ganambarr, The Nightingale

Prémio Especial do Júri – The Nightingale, de Jennifer Kent

Prémio Melhor Guião – Joel e Ethan Coen, The Ballad of Buster Scruggs

Taça Volpi – Prémio Melhor Interpretação Masculina – Willem Dafoe, de At Eternity Gates

Taça Volpi – Prémio Melhor Interpretação Feminina – Olivia Colman, The Favourite

Leao de Prata – Melhor Realização – Jaques Audiard, The Sisters Brothers

Leão de Prata – Prémio do Júri – The Favourite, de Yorgos Lanthimos

Leão de Ouro – Melhro Filme: ROMA, de Alfonso Cuarón

Leão do Futuro 

Prémio Obra Prima “Luigi de Laurentiis” Bet Debut Film – The Day I Lost My Shadow, de Soudade Kaadam (Síria)

 

PRÉMIOS ORIZZONTI

Melhor curta metragem – Kado, Aditya Ahmad

Melhor Argumento – Pema Tseden, de Jinpa

Melhor Interpretação Masculina – Kais Nashif, em Telaviv on Fire, de

Melhor interpretação Feminina – Natalya Kuddryashova, de The Man Who Surprised Everyone

Melhor Realização – Emir Baigazin, de Ozen

Melhor Filme – Manta Rey, de Kraben Rahu

 

PRÉMIOS COLATERAIS

Prémio FIPRESCI – Sunset, de László Nemes

Prémio Signis – ROMA, de Alfonso Cuarón

Menção especial – July 22, de Paul Greengrass

UNICEF – What You Gonna Do When the World’s Od Fire?, de Roberto Minervini

 

Sobre Paulo Portugal 666 artigos
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