Setembro 18, 2018

The Incredibles 2 justificam o slogan “Vamos tornar os Super-Heróis grandes de novo”

A Pixar demonstra uma vez mais todo o seu génio criativo ao oferecer um filme de animação com mais atributos e soluções que tantos blockbusters de imagem real. A novidade desta sequela que aparece apenas catorze anos depois do original é talvez o cuidado em conferir ao filme alguma atualidade, como a intenção de celebrar a capacidade feminina e até a referência política velada ao introduzir no discurso elementos de regresso aos bons velhos tempos, como uma réplica ao slogan de Trump vamos tornar os super-heróis grandes de novo.

Quem ainda se lembra do original de 2004, recordará com ternura esta família com super-poderes que começou por ficar mal vista na comunidade, mesmo depois de evitar um mal maior deixando a classe dos ‘super’ ameaçada e socialmente arredada. É o que sucede de novo com este grupo de personagens desenhadas neste regressdo do talentoso Brad Bird, a afirmar de novo Craig T. Nelson, como o Sr. Incrível, ou Holly Hunter, na Mulher Elástica, com a responsabilidade de encabeçar a missão sugerida pelos irmãos Winston (Bob Odenkirk) e Evelyn (Catherine Keener) e da organização que ajudará os super-heróis a recuperar o estatuto de defensores da cidade. No entanto, será até do elemento mais novo, o bebé Zezé, que virão as maiores proezas pela diversidade de poderes que demonstra – e que poderão até reforçar a eminência de uma nova sequela.

O que importa salientar é que o mérito continua a ser aquele que sempre se revelou mais frutuoso. Ou seja, encarar um projeto com uma verdadeira obra de arte e apostar numa riqueza narrativa em detrimento do espalhafato dos efeitos especiais que apenas enchem o olho e nos esvaziam a alma. Disso saberá bem Brad Bird, ao revelar-se capaz de traduzir e sintetizar o espírito original da Pixar, fundindo da melhor maneira o ambiente sitcom familiar com os deveres desta classe à parte.

Como se esperava, o filme combina bem o luxo das sequências de ação com uma narrativa que evita estereótipos, ao mesmo tempo que recorda até o lado mais vintage do género, algo que tantos filmes de imagem real parecem ser incapazes de superar. Razão pela qual estes Incríveis 2 conseguem manter a qualidade do original ou até mesmo superá-la.

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