Novembro 14, 2019
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FEST: Lemonade mostra a força do cinema romeno e vence lince de Ouro

  • Classificação

Parece inesgotável a frescura do cinema romeno, mesmo quando procura outras paragens como sucede nesta estreia segura de Ioana Uricaru no formato de longa metragem, ao abordar de forma sensível e acutilante as zonas cinzentas do procedimento burocrático a que se sujeitam aqueles que vêm à procura do sonho nos Estados Unidos e obter o famoso green card ou visto de trabalho. Talvez ajude poder contar com a produção do vencedor da Palma de Ouro, Cristian Mungiu, mas o filme que teve estreia mundial em Berlim, na secção Panorama, e que acaba de vencer o Lince de Ouro, merece bem ultrapassar a barreira dos festivais.

É claro que a parte de leão cabe à presença incontornável de Malina Manovici, cujos olhos espelham um misto de fragilidade e verdade que a câmara capta e acompanha de forma orgânica. Nesta trama escrita de parceria entre Uricaru e Tatiana Ionascu emerge Mara (Malina), uma enfermeira divorciada com um filho (o discreto e intenso Milan Hurduc) que procura novo futuro e que casa com um americano (Dylan Scott Smith) antes do seu visto caducar.

O filme não perde tempo e centra-se logo no processo burocrático e sobretudo no profissionalismo rigoroso de um agente de emigração  (Steve Bacic) que acaba por abrir espaço para palavrosos jogos de poder que vivem paredes meias com a humilhação. Pelo caminho esta mulher perceberá como esse sonho é feito de uma aprendizagem amarga. Algo que é também dado pelo advogado sérvio que irá contratar e que já aprendeu a usar em seu benefício toda a imaginação e oportunismo. Talvez por isso se imponha a metáfora escondida no título de tentar fazer um sumo gostoso de um fruto amargo e que origina um dos filmes mais admiráveis no feminino, ao mesmo tempo que auspicia um futuro luminoso para Ioana, Mara e Malina.

 

(Reproduzimos também o palmarés do FEST)

FEST . NOVOS REALIZADORES | NOVO CINEMA

LINCE DE OURO

Melhor Longa-metragem de Ficção
Lemonade, Ioana Uricaru, Roménia, Canadá, Alemanha, Suécia

Menções Honrosas
I’m not a Witch, Rungano Nyoni, Reino Unido, França, Alemanha
Winter Brothers, Hlynur Palmason, Dinamarca, Islândia

Melhor Longa-metragem de Documentário
Sand and Blood, Matthias Krepp, Angelika Spangel, Austria
Menção Honrosa
Lupo, Pedro Lino, Portugal

LINCE DE PRATA
Melhor Curta-Metragem de Ficção
Excuse Me, I’m Looking for the Ping Pong Room and my Girlfriend, Bernhard Wenger, Austria
Menção Honrosa
The Treehouse, Juan Sebastián Quebrada, Colômbia

Melhor Curta-metragem de Documentário
Dust, Jabuk Radej, Polónia
Menção Honrosa
Conection, Horizoe Garcia Miranda, Cuba

Melhor Curta-metragem Experimental
Home Exercises, Sarah Friedland, EUA
Melhor Curta-metragem de Animação
Oh Mother!, Paulina Ziolkowska, Polónia
Menções Honrosas
A Cat’s Consciousness, Andrea Guizar, México, Polónia

GRANDE PRÉMIO NACIONAL
Melhor Curta-metragem Portuguesa
Água Mole, Laura Gonçalves, Alexandra Ramires, Portugal
Menções Honrosas
Fidalga, Flávio Ferreira, Portugal
Uma Formiga, João Veloso, Portugal

PRÉMIO DO PÚBLICO CINEUROPA
Melhor Longa-Metragem
Lupo, Pedro Lino, Portugal
Melhor Curta-Metragem
Snake, Titas Laucius, Lituânia

NEXXT
Melhor Curta-Metragem
Parallaxe, de Aline Magrez, Bélgica
Menções Honrosas
212, Boaz Frankel, Israel

FESTINHA
Prémio Sub6
Achoo, Lucas Boutrot, Élise Carret, Maoris Creantor, Pierre Hubert, Camille Lacroix, Charlotte Perroux, França
Prémio Sub12
Fruits of Clouds, Katerina Karhánková, República Checa
Prémio Sub16
Mele Murals, Tadashi Nakamura, EUA

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