Outubro 16, 2018

Mundo Jurássico: Reino Caído – No baralha e volta a dar é que está o ganho

Apertem os cintos, pois o Parque de diversões ‘Mundo Jurássico’ vai começar! Bem podia ser assim a introdução para uma nova fantasia virtual baseada nas conhecidas criaturas pré-históricas fossilizadas mas que tanto gostamos de trazer de novo à ribalta. Seja com o cunho cada vez mais ousado da engenharia genética, com a motivação acrescida de saudáveis preocupações ecológicas, ou até numa variante que inclua o tráfico de animais, ingredientes usados neste Mundo Jurássico: Reino Caído.

O que nos trás de novo esta quinta variante do original de Spielberg, criado em 1993, mas que mantém o seu crédito como produtor executivo? Muito pouco, embora o suficiente para confirmar a expetativa num espetáculo XXL de gloriosos efeitos especiais, como se estivéssemos a bordo de um parque temático ‘tamanho família’, como fora até ensaiado na versão anterior. Mesmo superior, este Mundo Caído apenas baralha a volta a dar.

O catalão J.A. Bayona demonstra habilidade para gerir um curioso exorcismo do mito de Frankenstein, injetando-lhe até parte do DNA que pede emprestado ao seu mestre Guillermo del Toro, ainda que sem nunca se desviar da noção de que trata de uma mega franchise altamente lucrativa. Quer queiramos quer não, projetos desta dimensão dificilmente deixarão de ser produzidos, concretizando aquilo que parecem continuar a ser as opções dos grandes estúdios de Hollywood. Ou seja, eterniza-se a fantasia enquanto gerador de receitas à medida.

De resto, à semelhança do que sucede com a franchise Star Wars, curiosamente, cujo próximo episódio Star Wars: Episode IX terá guião de Colin Trevorrow, precisamente o realizador que nos apresentou em 2015,Mundo Jurássico, e que assina o argumento do filme que agora ataca às salas do mundo inteiro. Enfim, detalhes.

É claro que se compreende que um espetáculo deste tipo tem como alvo principal a atenção global de um público cada vez mais jovem, o único que dará pulos na cadeira com as enésimas vezes em que os protagonistas escapam a uma morte certa nas clássicas cenas de climax in extremis, com a agravante de que os olhos que provavelmente seguiram as anteriores versões antecipem com facilidades a evolução dos acontecimentos. Nesse sentido, é pena ver Chris Pratt e Bryce Dallas Howard a fazerem “verbo de encher” numa aventura que apenas recicla a fórmula até à exaustão.

No início desde Reino Caído, temos mesmo um momento de lucidez com um Jeff Goldblum a preconizar a aniquilação desta ideia, uma vez que haviam sido desvirtuadas as intenções do Dr. Hammond, na figura bonacheirona que Sir Richard Attenborough compôs nessa criação de Spielberg segundo a história de Michael Crichton. Algo que com o evoluir da história acabará por desembocar num leilão de monstros, como em King Kong, e naturalmente na continuação da sua exploração genética, se bem que com algum engodo para alimentar essa deriva humana e o seu próprio confronto com o passado.

Não deixa de ser curiosa a premissa ecológica que reverte a responsabilidade para os humanos de salvar as espécies pré-históricas ameaçadas. Sim, quando voltamos à ilha Nublar, Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) promove uma ação de proteção de dinossauros em perigo de extinção junto de uma ONG, em particular para salvar o Velociraptor Blue, que já vinha do filme anterior, dadas as suas surpreendentes capacidades de interagir com os seres humanos e, em particular, com o seu tratador Owen (Chris Pratt), e ex-namorado. Assim se desenha a trama levará este par a novas aventuras que incluirão múltiplas perseguições com estas criaturas e até de lava incandescente. Enfim, elementos para inúmeras sequências de ação abrilhantadas por efeitos especiais e animatronics cada vez mais convincentes.

É claro que há ainda um ingrediente suplementar gerado pela combinação dessa necessidade de prolongar a série, através da criação de novas espécies: o Indoraptor, num cruzamento genético com motivações militares. Haverá ainda a sugestão de novas criações que desafiam essa capacidade de criação genética e a possibilidade de intervenção humana.

Pena é que tudo isto não supera o formato de receita para gerar surpresas e emoção, se bem que nos dias de hoje essa necessidade de criar algo maior e mais realista se torne cada vez menos interessante. Num filme apostado em dar protagonismo às criaturas geradas por computador, as personagens humanas acabam relegadas para um segundo plano. A esse destino se submetem pelas regras das mega franchises. Como sempre, fica o engodo a acreditar numa nova esperança de surpresa e renovação de novas receitas de bilheteira. Ou seja, para mais uma voltinha no parque de temático de diversões.

 

Sobre Paulo Portugal 673 artigos
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