Outubro 26, 2020

Berlinale: ‘Damsel’ é um filme frouxo que pouco faz pelo movimento #MeToo

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Damsel é a tentativa de fazer um western cómico pelos manos David e Nathan Zellner, em que os próprios também entram como atores. Pena é que não passe disso, ou seja, uma tentativa de fundar uma comédia feminista no território áspero deste género tão marcado pela testosterona.

A outra decepção é ver um Robert Pattinson tão fraquinho ao serviço de outros manos, ele que quase tinha ofuscado os seus maus passos em Good Time, aqui com os manos Safdie. Agora faz o que pode para compor o ‘boneco’ que lhe calhou, como um ingénuo comerciante trovador que procura a mulher que julga raptada. Claro que não atrevemos sequer a recordar A Desaparecida, de John Ford, a não ser pela mera blague. E, sim, os Zellner não são Mel Brooks.

De certa forma, o filme divide-se em duas partes, a de Samuel (Pattinson) em busca de Penelope (Mia Wasikowska), a sua pretensa amada, fazendo-se acompanhar de um falso padre (David Zellner), com a missão de a pedir em casamento e concretizá-lo na cabana onde julga que esta está prisioneira. É quando se percebe que as intenções de Penelope são bem diversas que o filme muda de rumo. E passa a ser dominado por Penelope/Mia.

Na verdade, Penelope sabe bem aquilo que quer. E sobretudo o que não quer. Neste caso, a proximidade de Samuel. Sobretudo depois deste ter morto o seu companheiro. Aqui o filme assume o lado e a mensagem do woman power que assenta tão bem nos dias de hoje, em que todos os homens são vistos como perfeitos idiotas. Pelo menos aqui é o que se passa.

Pena que o filme não sai desta atitude de farsa barata, mais próximo talvez de uma espécie de cartoon, algures na linha dos clássicos da Warner Bros, com explosões e personagens garridas. Na verdade, a melhor cena é mesmo a do início com Robert Forster e David Zellner num momento de verdadeiro western O resto é só fachada. Razão pela qual nos perguntamos mesmo, o que faz este filme na competição para o Urso de Ouro?

 

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