Julho 19, 2019
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Nomeações aos Óscares: eis as 13 maiores surpresas. Que não são as 21 nomeações de Meryl Streep

Elas aí estão, as nomeações aos Óscares. E com os suspeitos do costume. Também sem grandes novidades. Bom, aparentemente. Ao olharmos com mais calma, percebemos algumas nuances que merecem a pena salientar. Isto antes do serão da entrega dos prémios, no próximo dia 4 de março, no Dolby Theatre, com apresentação assegurada por Jimmy Kimmel.

Desde logo, importa referir o alcance dos efeitos do tsunami Weinstein que permitiu também promover mais filmes de causa feminina. Para além desses vetores mais fortes dessa ‘guerra dos sexos’, encontrámos ainda algumas curiosidades e nuances dignas de nota. Ou seja, vale o que vale. Como a 21ª nomeação da obrigatória (e merecida) de Meryl Streep. It’s the Oscars, baby.

 

A Forma da Água

A Forma da Água com 13 nomeações

Para a história, já se sabe, contam as 13 nomeações de A Forma da Água, o tal regresso do mexicano Guillermo del Toro ao cinema de monstros, consagrado no festival de Veneza em setembro passado, em que venceria o leão de Ouro no festival presidido por Alberto Barbera, confirmando assim o condão do certame para afirmar os potenciais candidatos aos Óscares. Foi assim o ano passado com La la Land e Primeiro Encontro, bem como nos anteriores com O Caso Spotlight, Birdman Gravity. Mas não foi só Del Toro a conseguir essa proeza, já que Três Cartazes à Beira da Estrada, de Martin McDonagh fica igualmente associado ao festival italiano.

De alguma forma, meias-surpresas na ausência de alguns talentos nas nomeações finais.

E as nossas 13 curiosidades.

James Franco (Um Desastre de Artista)

As várias acusações de assédio que James Franco foi alvo ‘roubaram-lhe’, por assim, dizer a hipótese de ser considerado como um dos candidatos a Melhor Ator. Ele que ainda assim conseguiu vencer o Globo de Ouro. Assim sendo, lá se vê gorada a possibilidade de vermos Tommy Wiseau a concretizar o sonho de Hollywood. Uma pena.

Tom Hanks (The Post)

Igual sorte teve Tom Hanks, igualmente fora dos nomeados na mesma categoria pelo seu papel seguro em The Post, um filme de tema, por sinal, até bastante calhado para os Óscares, como o editor do Washington Post. Falha assim a sua sexta nomeação.

Steven Spielberg (The Post)

Ausente também nas nomeações ficou o mais recente filme de Steven Spielberg. Aliás, terá sido mesmo um dos mais penalizados nesta fase, já que seria de prever um reconhecimento em diversas nomeações, não só pelo tema ‘quente’, bem como pelos méritos próprios. Trata-se do relato de um trabalho irrepreensível no relato do tratamento jornalístico dos Papéis do Pentágono, numa viagem conseguida ao início dos anos 70, numa espécie de prequela de Os Homens do Presidente.

Martin McDonagh (Três Cartazes à Beira da Estrada)

Não se percebe como ficou arredado do slot de realizador, já que Três Cartazes à Beira da Estrada foi inquestionavelmente um dos filmes que mais marcou o ano. Outra pena.

Uma Mulher Não Chora

O filme de Fatih Akin que estreou esta semana ficou de fora das nomeações para o Melhor Filme Estrangeiro, de uma forma algo surpreendente, mesmo que os selecionados sejam todos merecedores dessa opção.

O documentário Jane

Não deixa de ser uma surpresa a ausência do bravíssimo documentário da National Geographical Jane, sobre a experiência incrível de Goodall na selva africana. Era mesmo um dos mais fortes candidatos dos muitos candidatos que tivemos oportunidade de ver.

E presenças que celebramos…

Greta Gerwig

Não deixa de ser uma grande vitória, tal como uma das maiores surpresas, a nomeação de Greta Gerwig na categoria de realização pelo seu trabalho no ótimo Lady Bird. Torna-se assim na quinta mulher a receber essa honra. As outras foram Lina Wertmuller (Seven Beauties), Jane Campion (Piano), Sofia Coppola (Lost in Translation) and Kathryn Bigelow (Estado de Guerra).

Christopher Plummer

Não celebramos propriamente pela prestação, pois ainda não foi possível ver o filme Todo o Dinheiro do Mundo. Mas deve ter sido um dos papéis mais surpreendentes, dado que substituiu Kevin Spacey, com o filme já concluído (e pelas razões conhecidas) e pelo trabalho limitado apenas às suas cenas num contra relógio que acaba por o brindar com esta nomeação. Ele próprio será o mais surpreendido.

Lesley Manville

Não deixa de ser uma surpresa, pois nunca foi uma das favoritas pelo seu trabalho em Linha Fantasma, de PT Anderson. Ainda assim celebramos.

Logan

A presença do filme nas nomeações, e logo pelo guião (adaptado) é um feito, que justifica o carinho que o filme tem merecido por quem aprecia o estilo de super-heróis.

Rachel Morrison (fotografia Mudbound)

Palmas para Rachel Morrison, que se torna a primeira mulher a ser nomeada ao Óscar de Melhor Fotografia. Precisamente em Mundbound – As Lamas do Mississippi, igualmente rodado por uma mulher, Dee Rees.

Agnés Varda (Melhor Documentário Olhares Lugares)

Outra mulher, mas neste caso com o lado reforçado de se tratar de Agnés Varda, que aos 80 anos eleva o seu filme (magnífico) Olhares Lugares ao estatuto difícil de noemação a melhor documentário.

Uma Mulher Fantástica (Melhor Filme Estrangeiro)

Num ano que celebra o poder feminino, a presença do filme do chileno Sebastian Lelio não deixa de ser motivo para celebrar. Desde logo por afirmar a prestação assumida de Daniela Vega, uma atriz transsexual capaz de impor com total entrega essa personagem fascinante no filme.

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