O Boneco de Neve: não aquece nem arrefece

O que se passa com Michael Fassbender? Será que os ares de Lisboa não lhe fizeram bem? É que temos de puxar bastante pela memória para recordar o filme em que nos deu a justa medida do seu talento. Lamentavelmente, este Boneco de Neve derrete rápido demais antes que se converta numa possibilidade de franchise baseada na obra de Jo Nesbo, o tal analista financeiro tornado escritor.

Apesar desta incursão da trama para o território gelado norueguês, percebemos que Fassbender não tem problemas em dar corpo e alma a um agente da polícia alcoólico, pai ausente, embora com o faro apurado apenas reservado aos detetives com pedigree, como Harry Hole. De resto, a fama precede-o quando se apercebe que uma novata (Rebecca Ferguson) tomou o seu lugar após a sua suspensão. O que não o impede de juntar as peças de um caso de pessoas desaparecidas, sobretudo por se relacionar com outra linha de investigação que lida com casos mais macabros em que ao pé da vítima esquartejada fica um boneco de neve.

O problema parece ser uma distância entre a estrutura do romance, de resto pertencente a uma coleção de 11 títulos, todos beste sellers do autor, e a conversão em cinema de qualidade por parte de Thomas Alfredson, que tão bem conta de si havia dado em A Toupeira, mas que aqui se revela ineficaz em prender-nos a atenção e o interesse. Nem mesmo o cast onde pontificam diversas estrelas, como Charlotte Gainsbourg, J.K. Simmons, Val Kilmer ou Chloé Sevigny.

É claro que a proximidade de alguns crimes grotescos, em particular uma insistente decapitação acaba por esgotar o frisson deste policial em terras geladas, que pretende criar alguma empatia com a versão americana da série dinamarquesa The Killing, apesar de nunca chegar verdadeiramente a aquecer. Muito menos com a saga Millenium. 

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