Uncharted – o Legado Perdido: Agora são elas que dizem: Menino não entra!

(Sony, PS4)

Numa altura em que se sentem ainda os ecos da discussão estival sobre as diferentes aptidões dos meninos e meninas, a propósito do tão comentado livro de exercícios que colocaria desafios de exigência facilitado para as moças, eis que chega ao mercado um novo jogo da franchise Uncharted, como sempre desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Interactive Entertainment, cuja principal novidade é substituir a personagem masculina nas suas aventuras de ação por duas damas.

É claro que em si a ideia nada tem de novidade, até porque, se nos lembrarmos bem (e quem esquecerá?) este tipo de aventura na terceira pessoa foi fundado pela heroína curvilínea chamada Lara Croft. Será por até certa idade as damas serem normalmente mais expeditas que a rapaziada? O jogo, bem mais do que imbróglio dos livros infantis, até poderia ir nesse sentido, só é pena que acabe por ser uma versão suavizada das habituais aventuras. Então, em que ficamos?

A ideia nem era gastar um ou dois parágrafos com banalidades, mas sim chamar a atenção para um dos primeiros jogos que irá abrir a rentrée habitualmente bem agitadas em matéria de jogatanas. Uncharted: o Legado Perdido, o tal jogo que estava para ser apena um add-on a Uncharted 4, temos então a vez de elas dizerem “menino não entra” e arregaçarem as mangas, sem medo da transpiração ou de fazer estalar o verniz das unhas nesta sensacional viagem à húmida Índia.

Não, a sério, veremos mesmo alguns desses índices à medida que as coisas se tornam mais difíceis. Mas nada que elas não sejam capazes. Aqui a igualdade impera. E elas são Chloe Frazer e Nadine Ross, duras personagens que regressam de anteriores aventuras, agora determinadas a recuperar a Presa de Ganesh, um artefacto preciso que não passa de um pequeno corno, perdido algures nas Gates Ocidentais, uma região em guerra dominada por um líder militar autor de várias destruições de monumentos históricos.

Ao longo de uma jornada que apenas solicita um fim de semana em cheio, para umas sete horitas de jogo, promete-se aventura a sério, combinando, escalagem, condução, tiros e até alguns socos. O problema é que se o leitor jogou alguma das mais recentes edições encontrará muito poucas (ou nenhuma) novidade no motor do jogo. Basicamente, faz-se tudo o que se fazia, talvez ainda mais depressa. O que nos retira talvez algum tempo para admirar a paisagem. Afinal de contas vamos à Índia, caramba! Isto para comprovar o elevado grau do design. Mas também aqui outra reticência: dado que estamos a falar da PS4, poderia esperar-se um uso ainda mais ambicioso, já que se percebe que o alcance visual acaba por dar um passo atrás relativamente ao anterior.

Interessante é perceber como a narrativa, que segue após alguns meses do decurso do final do jogo anterior, opera uma reflexão do passado de Chloe, e até as divergências com Nadine. Ainda assim, uma aliança que a permitirá resolver os enigmas e facilitar um envolvimento maior com a narrativa. Ah sim, e o uso inevitável do smartphone para todo o tipo de informações e inúmeras operações. Como sempre, o jogo vem localizado numa razoável versão em português.

Sobre Paulo Portugal 413 artigos
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