Our Souls at Night: Na cama com Robert Redford e Jane Fonda

Our Souls At Night

O filme da Netflix em Veneza – sim, a presença dos tv only parece tornar-se num must dos festivais de classe A – teve o condão de juntar Robert Redford e Jane Fonda numa revisão do que significa o romantismo na terceira idade. Eles que receberam o Leão de Ouro pela sua carreira antes da sessão oficial de Our Souls at Night, do indiano Ritesh Batra, exibido fora de competição.

A verdade é que em menos de 15 minutos teremos Robert Redford e Jane Fonda na cama. Assim mesmo, sem sexo. Addie Moore e Louis Water são dois viúvos cansados de adormecer sozinhos decidem passar as noites juntos para passar essa parte mais difícil e ter alguém com quem falar. A ideia é quase concebida como um ensaio prático. Como que a segredar-nos algo ao ouvido.

Esta economia narrativa assenta como uma luva a uma Fonda com o seu ar eterno de rapariga, apesar dos seus quase 80 anos (em dezembro). É ela, de resto, quem bate à porta dele, naquela pequena cidade do Colorado, e sugere esse amigável let’s spend the night together; ele, já com 81, mais reticente, vai avisando (e ela concorda), que o sexo já há muito que não faz parte dos seus planos. Estes encontros nocturnos vão fazendo parte do seu quotidiano e logo se define que o nível de interesse na conversa terá de ser mais do que falar sobre o tempo. É também aí que entram os elementos familiares. Não só a memória dos seus cônjuges falecidos, um sentimento de culpa que não os abandona, mas também do neto e o filho (Mathias Schonearts) e os seus respetivos problemas colaterais. Mas também toda a dimensão social que passa a olhar de lado estes velhotes que decidiram visitar-se à noite para dormir juntos, o que significa também algumas ‘bocas’ por parte do grupo de reformados a contar histórias à volta de uma mesa com cerveja.

Só que por muito que se queira, esta história de amor entre Abbie e Louis dificilmente deixará de ser sobre Jane Fonda e Robert Redford (e mesmo que nem seja bem uma história de amor, mas de conforto) e sobre o par que contracenou em Perseguição Impiedosa (1966), Descalços no Parque (1967) e finalmente em O Cowboy Eléctrico (1979), este último apresentado antes da sessão oficial do filme da Netflix, em versão restaurada, no conjunto dos clássicos. Até porque eles são um pouco assim. Ela mais despachada e prática, ele mais recatado e reticente.

Já na conferência de imprensa haveriam de trocar mimos discretos, com Jane, sempre mais disponível para falar de sensualidade, a confirmar que ele beija muito bem. E a assumir que todas as pessoas têm a sua ligação com a sexualidade. Aproveitando para referir que temos de conhecer o nosso corpo e perceber o que ele precisa, talvez para indicar ao realizador o final “em branco” não do agrado geral. Ainda assim, Our Souls of the Night deixa uma nota interessante de um raro cinema de atores maduros, sem ter de ser geriátrico. Talvez por isso até bem indicado para a Netflix.

 

Sobre Paulo Portugal 351 artigos
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