Outubro 20, 2020

Baby Driver: Alta Velocidade acaba em derrapagem

Ansel Elgort é o Baby

Como design movie até resulta. Ou seja, no papel, Baby Driver assume-se como um chase movie alimentado com música em vez de gasolina. E de música sabemos nós que Edgar Wright (a par de Tarantino) a trabalha como ninguém no cinema. Temos portanto um filme de forte ressonância auditiva, e até mesmo com recurso a linguagem gestual. Só que nesta tentativa em recriar um título de género, temperando-o com algum pulp e mix tapes, acaba por ultrapassar os limites de velocidade e resvalar para a trivialidade.

Ao contrário do que sucedeu nos filmes anteriores de Wright, sobretudo no seu período britânico, em particular na trilogia delirante a que chamaram The Three Flavours Cornetto e composta pelas gloriosas comédias com a dupla Simon Pegg e Nick Frost, Shaun of the Dead, Hot Fuzz The World’s End – ou até mesmo na sua experiência americana (o brilhante Scott Pilgrim Contra o Mundo) -, este realizador que se tornou demasiado hip deixa agora o filme seguir em piloto automático, esquecendo-se de alinhavar um guião que não descolasse tanto de tudo o que fez antes. O resultado acaba por ser o estampanço após uma sucessão de sequências mais ou menos vistosas de perseguição com uma banda sonora elegante, mas sem um suporte narrativo que as suporte.  Ainda assim, beneficia do coro quase unânime desse site aglutinador de opinião crítica americana chamado Rotten Tomatoes. Enfim.

Percebe-se a ideia de usar um escape driver, no caso Ansel Elgort, o menino das sagas Insurgente e Divergente, como o bebé de serviço, ele que se serve das suas misturas musicais de forte perfume retro para o inspirar na condução de cada golpada, e ao mesmo tempo aliviar o ruído auricular que lhe ficou após o acidente em que perdeu a mãe; subscreve-se também a homenagem aos filmes clássicos de perseguições dos anos 70 e toda a coreografia que se adivinha, talvez na linha de Vanishing PointBullit ou French Connection.

O problema (e a pena) é que, afinal de contas, Baby Driver revela todos os vícios do cinema mainstream de ação made in Hollywood. Ou seja, muita parra e pouca uva. Temos o título cool, a presença de Kevin Spacey, como o boss que lhe arranja os trabalhinhos, Jamie Foxx, Jon Hamm ou Jon Bernthal, para além da babe de serviço, Eiza González que pouco mais faz que empunhar metralhadoras com estilo. Ah sim, e a dama de serviço, uma empregada de balcão (a Cinderella, Lily James), que apenas deseja “a estrada, música e um carro”. No fundo, personagens à procura de um guião ou a desfilarem em estilo neste design movie. A sequela já se adivinha.

  • Classificação

Um resumo

Baby Driver revela todos os vícios do cinema mainstream de ação made in Hollywood. Ou seja, muita parra e pouca uva. Temos o título cool, a presença de Kevin Spacey, como o boss que lhe arranja os trabalhinhos, Jamie Foxx, Jon Hamm ou Jon Bernthal, para além da babe de serviço, Eiza González que pouco mais faz que empunhar metralhadoras com estilo.

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