Novembro 14, 2019
insider

Caminhada pelo reino do Hip Hop

Do Rap ao Beatbox

Tudo o que Imagino

Tudo o que Imagino

Leonor Noivo (Setembro 2016, Excursão 2007) transporta-nos para o bairro de Alcoitão, nos subúrbios de Cascais.

André, o epicentro desta curta metragem, encontra-se de férias. As suas últimas antes de finalmente entrar no mercado de trabalho. As responsabilidades aproximam-se sorrateiramente. Mas ele procura ser livre. Andar a pé e fugir sem destino.

André e o seu grupo de amigos tentam aproveitar ao máximo as suas férias, divertem-se cantando e improvisando rap, fumam ganzas, perdem-se por entre relações amorosas, mas ele quer mais que isto. Ter uma vida além do bairro. Mas está preso a ele. Já Valete dizia na sua track Subúrbios ‘’Aqui não dá para dormir/ Quanto mais para sonhar, és parvo!’’.

Rap é a alma destes subúrbios, a voz que se espalha através deles reflectindo as suas vidas, é a luta à opressão a que estão sujeitos e a motivação de ir mais além. No entanto, tal como é o centro criador, o bairro também é uma bolha em seu redor, impedindo-o de ser quem ele realmente quer ser. Encontra-se preso em estereótipos e em expectativas, quer da parte de quem o vê de fora quer da parte dos seus amigos. Procura desprender-se e elevar-se acima deles. Mas nem sempre a vida vai de encontro àquilo que queremos.

O hip hop tem o seu nascimento por volta dos anos 70, na área do Bronx em Nova Yorque, com Afrika Bambaata (Kevin Donovan). O rap nasce por volta da mesma altura, como uma vertente do hip hop, e tem como figura proeminente o Dj jamaicano Kool Herc. Já o beatbox aparece mais tarde por volta dos anos 80 tendo como principais impulsionadores Biz Marki e Doug E. Fresh. Uns anos mais tarde, já nos anos 90, Rahzel (membro dos The Roots entre 1995-1999), tornar-se-ia a cara do movimento Beatbox ao lançar o icónico álbum ‘’Make the music 2000’’ (1999).

Como se dos primórdios do hip hop se tratasse, passamos do rap para o beatbox com,

Beatbox, boom bap autour du monde

De Pascal Tessaud, que também realizou Brooklyn em 2014, um filme sobre uma rapariga que foge para Paris para tentar a sua sorte no mundo do hip hop.

Um documentário que nos leva a viajar pelo globo, de Nova Yorque a Nantes passando por Berlim e muitos outros locais, enquanto conhecemos a (não tão) conhecida comunidade de beatbox. Uma comunidade que tem vindo a crescer e não vê motivos para abrandar. Temos a oportunidade de conhecer figuras ilustres do mesmo, desde Rahzel a Kenny Muhammad, e principalmente a nova geração, Flashbox, Bmg e Alem (vencedores do campeonato mundial de beatbox em duplas em 2015), entre outros artistas. Alem é ainda o vencedor do título mundial de beatbox a solo no mesmo ano. Somos encantados por Skiller (campeão mundial em 2012) a demonstrar-nos o que melhor sabe fazer, assim como o campeão de beatbox chinês, campeão canadiense e muitos outros. É uma celebração da diversidade que existe neste meio. Black Adopo conta-nos sobre as raízes ancestrais do beatbox, e Mister Lips (membro dos Under Kontrol) transmite-nos a sensação acolhedora da família do beatbox a qual podemos ver em ação. Risos, abraços, e uma ligação fraternal. Unidos por um gosto em comum, e pela partilha e cultura do mesmo, esforçam-se para ir mais além. Das ruas somos transportados para o ambiente frenético e assolador do campeonato mundial em Berlim onde podemos assistir a breves momentos de alguns dos melhores beatboxers do mundo.

A descoberta e exploração de uma arte que é única e bastante peculiar e que, apesar de minimamente conhecida, ainda não entrou no mainstream musical.

 

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