Novembro 17, 2019
insider

Indie Curtas 3 Ciclo: os sentimentos do corpo

Os Peixes Não Pensam

Os Peixes Não Pensam

Victor Lindgren nunca teve formação profissional de cinema, e ainda assim tornou-se um dos realizadores com mais futuro da Suécia. Uma das suas curtas Undress Me ganhou um prémio Teddy no Festival Internacional de Berlim e outra I Turn To You ganhou o prémio de melhor curta no Festival de Gotemburgo em 2015.Os Peixes não pensam é uma curta de 12 minutos.

Uma curta sobre Matilda (Matilda Björby Lövström) e os seus sentimentos. O desejo que ela tem de ser Elin (Sanna Heinstedt), mas também a inveja do seu irmão Peter (Samuel Falck) por namorar com ela. Matilda olha para Elin como se ela fosse uma deusa que deve ser adorada, a forma como ela se veste e se move de forma tão graciosa, é uma delícia para os olhos da pequena Matilda. Tenta afastá-la do irmão e tenta ganhar a sua atenção, para ela dói tanto ter de conviver com eles como ser deixada de lado. Há algumas subtilezas em relação aos sentimentos de Matilde para com Elin, será que é só um intimo desejo de ser como ela, ou uma paixão por revelar?

 

Ninnoc

Realizado pela holandesa Niki Padidar (Filmpje 2013, Bagage 2012) somos apresentados a Ninnoc. Um filme sobre bullying, sobre as suas consequências e sentimentos, sobre o que é ser normal, diferente e popular, sobre o que é sentirmo-nos sozinhos e nada podermos fazer contra isso.

Ninnoc não gosta de grupos, sente que são todos iguais como se eles se tratassem de uma só pessoa. Ela não quer juntar-se a eles, mas também sente receio de tentar e ser ignorada. É uma reclusa no seu próprio mundo. A eterna luta entre o ser ela mesma ou tornar-se um dos outros para não ser excluída. A forma como o filme se desenrola é uma forma peculiar. Nunca chocamos diretamente com as imagens de bullying, mas podemos ver a forma como Ninnoc reage ao mesmo. Ainda assim há alguma felicidade nela, seja pela dança, por cantar, ou até mesmo pelo facto de que ela sente algum orgulho em não ser normal e em destacar-se dos restantes. O trabalho de câmara é excelente e consegue captar todas as emoções e caretas dela. Desde as lágrimas que lhe escorrem pela face, à diversão que sente ao cantar, à forma como se sente livre ao dançar. Ninnoc esconde como realmente é de quase toda a gente. Tem medo de dar-se a conhecer. São problemas que qualquer pessoa, especialmente jovens, se podem relacionar e que podem ajudar na compreensão do seu mundo de uma forma mais relatável.

O rapaz no oceano

Um conto sobre o acordar da sexualidade, realizado pelo dinamarquês Friedrich Tiedtke (Zuhause 2014)

Mathias é um jovem de 12 anos que se encontra numa viagem de barco com os seus pais, que ainda o tratam como uma pequena criança. Ao longe, vê em terra uma rapariga pela qual fica atraído, o que é uma novidade para ele. É o despertar da sua sexualidade. A cena em que acorda e fica curioso e confuso com as reações do seu corpo, até à cena na casa de banho. Mas a sua privacidade no barco é limitada, como se estivesse preso e não se pudesse libertar a si mesmo e todo o seu desejo sexual. Já em terra, sente a possibilidade de conhecer esta tal rapariga que causou em si este turbilhão de emoções. É aqui que percebemos que esta curta não é apenas sobre a sexualidade, mas também sobre a rejeição. A primeira rejeição. Os ciúmes ao descobrir que ela namora, ao vê-la com ele, a dor e raiva da rejeição, tudo num curto espaço de tempo levam Mathias a irritar-se com tudo, incluindo a ser agressivo com os pais. Ele nunca sentiu isto, aquela dor no coração que o consome aos poucos sem que ele saiba lidar com isso.

 

O Sabor do Bacon

Vinda de frança, e realizada por Emma Benestan, uma curta sobre a homossexualidade e a forma como as pessoas reagem à mesma, desde a rejeição, à aceitação, ao tentar fugir da mesma. Um vídeo entre dois amigos Bilal e Adid, leva a com que os rumores despertem sobre a sua sexualidade e a verdadeira natureza da sua relação. Os amigos de Adid afastam-se dele e gozam com ele. Traços de homofobia estão presentes durante a curta toda, assim como de religião. Tudo começa com um vídeo no Snapchat, uma forma efémera de mostrar momentos, mas ainda assim duradoura na cabeça e na palavra de quem vê.

Bilal e Adid decidem tentar arranjar uma namorada para cada um para que os rumores se dissipem. Uma tarefa mais difícil do que eles esperariam. Jennifer revela que gosta de mulheres, mas que está disposta a ajudar Adid e a fingir-se de namorada dele, mas aconselha-o a não ter receio de ser ele mesmo sem receio do que outros possam pensar, e que gostar de alguém do mesmo sexo não é algo mau ou que deva ser visto quase como um crime. Enquanto isso Bilal tenta conquistar Bahia com chocolates, o que não funciona e acaba a ser chantageado. E vemos aqui um receio tão grande de ser visto como homossexual que ele sente que não tem outra escolha senão aceitar a chantagem. É uma história não apenas à volta da homossexualidade, mas também da forma como cada um de nós vê o amor, e aquilo que ele significa para nós.

 

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