Outubro 13, 2019
insider

Diogo Costa Amarante: leva ‘Cidade Pequena’ a concurso

Diogo Costa Amarante

“Estou a escrever uma longa metragem”

Trocou o Direito pelo cinema, passou do documentário para a ficção, e depois de algumas curtas, prepara em breve a sua longa. Já com diversos prémios, incluindo o recente Urso de Ouro em Berlim pela melhor Curta, Diogo Costa Amarante é mais uma promessa do emergente cinema português. No IndieLisboa concorre agora com Cidade Pequena na secção nacional de curtas.

Apesar já teres ganho outros prémios em diversos festivais, sentes que a conquista do Urso de Ouro em Berlim te coloca uma responsabilidade maior enquanto cineasta?

Sempre encarei o cinema com a mesma seriedade, mesmo antes de receber o Urso de Ouro. Acho que isso não vai alterar nada. De resto, tento até nem criar essa expetativa, isso não é muito saudável. Claro que um prémio ajuda sempre a carreira e sabe bem estar ao lado de pessoas cujo trabalho admiro muito. Em termos de motivação é muito bom.

Em Cidade Pequena há uma singular aproximação à descoberta do mundo infantil. Como foi elaborada esta história com a tua irmã e o teu sobrinho?

Tudo aconteceu após o meu regresso dos Estados Unidos, onde estive alguns anos. Foi algo muito espontâneo e que está até bem descrito na voz off do início do filme. Quando regressei as minhas irmãos, ambas com filhos, começaram a contar histórias dos miúdos delas. Entretanto, veio esta à baila do meu sobrinho Francisco ter aparecido no quarto da mãe a dizer que tinha aquela estranha dor no peito. Algo que motivou até depois uma conversa filosófica da mãe com a professora sobre a forma como os miúdos passavam a encarar a possibilidade da morte. Foi a espontaneidade dele que me inspirou a ter esta ideia para o filme.

O teu cinema começou por revelar histórias de registo documental. Apesar de Rosas Brancas, exibido também em competição em Berlim, se aproximar já mais da ficção. Podemos dizer que te aproximas cada vez mais da narrativa de ficção com Cidade Pequena?

Sim, os primeiros filmes foram mesmo documentários puros. Isto porque comecei a estudar cinema documental em Barcelona, focado até mais em televisão. Ou seja, esse percurso documental esteve de certa forma alinhado com os meus estudos. Depois do documentário estudei direção de fotografia e, finalmente, realização, em Nova Iorque, na Tisch. Fiz um Master of Fine Arts, durante quatro anos, porque tive de interromper um. Mas esta é uma escola muito mais orientada para a ficção. O Rosas Brancas foi feito no 2º ano e este foi o meu filme tese. Ou seja, era já uma tentativa de trabalhar com a ficção, mas com um lado documental a espreitar, neste caso, ligado a histórias que são minhas.

Com Cidade Pequena integras uma das mais fortes programações de sempre de curtas no IndieLisboa. É este o fruto da aposta aos apoios dados ao cinema?

Sim, claro. No entanto essa é sempre uma questão complicada para mim, embora como membro da APR estou completamente solidário com a causa daquele grupo de pessoas. Só que eu nunca recebi nenhum tipo de financiamento do ICA para os meus filmes. Ainda assim, isso não exclui que diga que o ICA tem uma função de política cultural. É fruto desta política que o cinema português tem viajado.

Para quando uma longa?

Isso era o ideal. Agora sim, finalmente, recebi o primeiro financiamento do ICA, mas foi só para desenvolvimento de guião. E tem de ser obrigatoriamente de escrita de longa. A ideia é essa, estou agora a escrever uma longa, e depois vou concorrer com todos ao apoio à produção. Depois logo se vê. Mas, sim, gostava de passar para o formato de longa. Quanto à história não queria ainda falar nisso, porque a ideia está numa fase em que pode seguir rumos diferentes.

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