Junho 16, 2019
insider

18 curtas portuguesas a concurso: o ser humano e as suas vicissitudes

Cidade Pequena, Diogo Costa Amarante

Pela primeira vez o Indie Lisboa orgulha-se de apresentar 18 curtas portuguesas, uma quantidade nunca antes vista o Indie. Desde o documentário, à animação, sem esquecer a ficção, a grande aposta deste ano. Há espaço para tudo.

No entanto, há algo em comum a todas elas, não tanto à primeira vista, mas algo mais escondido como se fosse um segredo bem guardado. Retratam o ser humano e todas as suas vicissitudes.

A infância e ingenuidade na Cidade Pequena de Diogo Costa Amarante (vencedor de um Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlim), a beleza sublime da rotina diária em Moçambique na curta Nyo Vweta Nafta realizada por Ico Costa, a exploração do puzzle que é arte usando o tato em Antão o Invisível de Maya Kosa e Sérgio Costa.

Em De Madrugada da realizadora Inês Torres perdemo-nos entre o passado e o presente, quem somos e para onde vamos no tempo que ecoa por aí. Continuamos a nossa jornada com o regresso do realizador José Filipe Costa (Sunday, The Street e Linha Vermelha em 2014) com O Caso J uma projeção que nos irá pôr a pensar no quanto conhecemos ou pensamos nós conhecer aqueles mais próximos a nós tendo em atenção a questão da brutalidade policial que está em voga nos dias que correm. Segue-se O Turno da Noite de Hugo Gomes (A minha idade em 2014) uma bela comédia entre o que somos e o que queremos ser, o desejo íntimo da luxúria que corre por Ana Luísa (interpretada por Filipa Matta).

Todos os olhos estão em Joana Pimenta (vencedora de melhor curta metragem portuguesa em 2014, com As figuras gravadas na faca com a seiva da bananeira) com a sua mais recente curta Um Campo de Aviação, uma curta sobre a passagem do tempo em nós meros humanos e na natureza. As alterações em nós, mas a consistência que rodeia a Natureza, tão dona de si.

Temos também o regresso de André Gil Mata (Arca d’Água, Casa e O Coveiro, IndieLisboa 2009, 2011 e 2013) com Num Globo de Neve onde somos presenteados com uma curta cujo remetente é a avó de André Gil, o reflexo dos acontecimentos e recordações que temos naquilo que sentimos. Deixamo-nos ir pela obra e vida de Van Gogh tendo em foco a altura em que viveu em Borinage, uma altura em que ele se explorava não só a si mesmo como à sua pintura, na curta metragem de José Fernandes, de nome From Vincent’s House in the Borinage.

Jorge Jácome (Plutão e A Guest + A Host = A Ghost, IndieLisboa 2013 e 2016) leva-nos ao mundo das sensações sublimes e românticas, nostálgicas não se desleixando nas referências políticas em Flores. Podemos ainda ver a procura de um documentário por um local fascinante e dotado de uma beleza que nos leva a questionar se é real ou apenas imaginação dos nossos olhos em O Homem de Trás-os-Montes de Miguel Moraes Cabral, e somos arrebatados de frente com as conversas entre um ser humano e um androide e a realização de tanto egoísmo existente na nossa própria humanidade na curta de Pedro Neves Marques, Semente Exterminadora.

Na Cinza Fica Calor de Mónica Martins Nunes somos bruscamente apresentados a uma realidade negra, a da força e fúria de um vulcão e da sua destruição. Seguimos a reconstrução e os sentimentos dos habitantes de Chá das Caldeiras de Cabo Verde. Alegremente dizemos que este ano temos o regresso da Leonor Noivo (melhor curta portuguesa, no IndieLisboa 2007, por Excursão) que nos traz Tudo o que Imagino onde navegamos por um bairro suburbano e pelo seu lado mais emocional ao seguirmos os romantismos de André.

Diogo Baldaia (Fúria, IndieLisboa 2014) prende-nos ao ecrã com Miragem Meus Putos, a coleção de três histórias de juventude; a magia de ser criança, o crescimento adolescente e o medo e receio de nos tornarmos adulto, algo que muitos de nós um dia tivemos. Ainda há Salomé Lamas com o seu mais recente projeto Ubi Sunt, a cartografia de um Porto em expansão e de seus contemporâneos.

Joana Silva, Limoeiro

Temos também duas curtas metragens portugueses de animação, o Limoeiro de Joana Silva, um quarto repleto de lembranças de outros tempos e uma voz que com o seu sussurro torna todo este ambiente algo aterrorizador, mas cativante, e Circo, de André Ruivo (Campo à Beira Mar, IndieLisboa 2015), uma curta que aposta nas cores fortes e é feita usando diversos sketches irónicos.

Com tantas opções e diversidade, é impossível não encontrar algo que valha a pena assistir.

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