Setembro 20, 2018

João Canijo: “Este não foi um filme a pensar no centenário de Fátima”

A partir do próximo dia 27, vamos seguir um grupo de transmontanas que embarcou na mais longa peregrinação até Fátima. Em nove dias percorreram mais de 400kms, ou seja, a distância desde a vila de Vinhais, no conselho de Bragança, em Trás-os-Montes, imunes às bolhas, dores e até pequenas crises no seio do grupo. Elas foram Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Vera Barreto, Teresa Madruga, Ana Bustorff, Alexandra Rosa, Teresa Tavares, Íris Macedo, Sara Norte e Márcia Breia.

Na verdade, um filme também pode ser uma peregrinação. Aliás, uma ideia com que confrontámos João Canijo, já que o projeto inicial de Fátima fora concebido para ser concretizado há dois anos atrás, ou seja, logo após a conclusão de Sangue do Meu Sangue. Só que a crise de 2012 no meio do cinema haveria de ditar um bloqueio geral várias produções que ficaram mum limbo.

Seja como for, para além desse hiato temporal, o realizador não se livrou dos desafios próprios da rodagem deste verdadeiro foot movie, o género inventado pelo próprio realizador para designar um filme que narra a mais longa peregrinação até Fátima.

E será também uma espécie de peregrinação do espectador ao seguir a deriva desse grupo, em mais um registo onde um recorte documental da realidade é visitado por uma narrativa. O resultado funciona, tal como a sua já habitual montagem no plano, tão eficaz em Sangue do Meu Sangue, a sustentar várias ações que decorrem em simultâneo, também elas editadas em pista sonora, com as diferentes conversas.

Este não foi um filme a pensar no centenário de Fátima, referiu o realizador durante as entrevistas de promoção que decorreram esta terça-feira, dia 11 de abril, no Cinema Ideal, espaço gerido pelo produtor da fita Pedro Borges. O centenário de Fátima foi coincidência por causa do atraso, devido à tal crise. É absolutamente uma coincidência. A ideia era recriar um grupo de mulheres obrigadas a estar juntas, 24 horas 24 sobre 24 horas, em esforço permanente em nome de uma crença.

Na verdade, não foram 400kms, corrige Anabela Moreira. O cartaz diz assim, para ficar mais bonito. Foram 430kms. A precisão é relevante, sobretudo quando se anda 40-50-60kms por dia; sendo que no dia seguinte, há que fazer outro tanto. Uma questão de fé? Se calhar não chega…

O que me surpreendeu mais é que és capaz de tudo a que te propões, recordou Anabela, que tem no filme a missão de fazer acontecer algumas crises que têm de ser geridas por Rita Blanco, impecável também na sua capacidade de improviso e no seu sotaque e jeito transmontano, mesmo apesar de estares a chegar ao limite. É como se Cristo e Nossa Senhora, este Pai e esta Mãe estivessem tão longe de nós que tivéssemos de fazer estas barbaridades para que ele nos ouça.

Tudo começou ainda durante o projeto documental É o Amor, em que Anabela começou a descobrir que grupos de peregrinos é que existiam e iam até Fátima. Comecei ali perto da fronteira de Espanha e fui descobrindo, esclarece, para no ano seguinte, todas as atrizes que integrassem este grupo fizessem a sua peregrinação até Fátima. E este era o grupo, o de Bragança, o que andava mais, segundo informou. Eu fiz essa peregrinação com a Vera Barreto. A Teresa Tavares e a Iris Macedo fizeram outros caminhos.

Entretanto, mais ou menos por volta da data de estreia do filme, saberemos também se Fátima fará alguma peregrinação no mês seguinte a um famoso festival no sul de França. Será que alguém acendeu uma velinha?

 

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