Julho 18, 2019
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Ghost in the Shell: o feitiço do tempo

Numa altura em que finalmente o mundo se prepara para receber a versão em imagem real de Ghost in the Shell, recuperamos o original de 1995, a muito celebrada animação de Mamoru Oshii, baseado na manga de Masamune Shirow, de 1989, devidamente insuflada pela música de Kenji Kawai. Apenas para auscultar como um filme com mais de duas décadas consegue resistir ao tempo de uma forma perene. O que só eleva ainda mais a fasquia para a versão de Rupert Sanders, o britânico que passou de Branca de Neve e o Caçador para Ghost in the Shell – Agente do Futuro.

Regressar então a 1995, ao ambiente distópico de 2029, para a trama da animação Mamoru Oshii, é como acordar a mítica personagem Motoko Kusanagi de um longo sono letárgico, bem como a figura do tal hacker “Puppet Master” capaz de penetrar na mente alheia. Isto para encenar uma deambulação filosofia sobre o conceito de humanidade envolta numa ardilosa trama de ação. Mas o que ainda não se apagara da nossa mente fora todo aquele ambiente visual, muito cyberpunk, que conseguia mesmo superar Blade Runner.

Desde o espantoso início, que irremediavelmente será replicado na nova versão, ficamos submersos neste futuro hi-tech que foi tão replicado e serviu de inspiração para os manos Wachowski criarem Matrix. Aliás, era esse o filem que queriam fazer em vez de Matrix. Mas podemos também detetar esse touch em Ex-Machina, I, RobotAvatar, ou Her (Uma História de Amor)  Por isso mesmo não espanta que Ghost seja ainda hoje considerado uma dos melhores filmes anime de sempre.

Estamos então numa metrópole habituada à evolução cyborg, em que os humanos são cada vez mais artilhados com peças e chips – ainda que alguns sejam apenas pouco mais do que fantasmas presos em corpos artificiais, em que essa característica, talvez aproximada à alma, seria a derradeira componente humana num corpo mecanizado.

É claro que grande parte do fenómeno de culto que envolveu Ghost deve-se em grande parte à personagem de Motoko, uma lead com a fibra das grandes mulheres de ação do cinema – alô Ripley de Alien. Atentemos apenas no final admirável em que essa componente humana é levada ao limite. Aliás, da mesma forma como os desenvolvimentos tecnológicos empregues na animação estiveram ao serviço dessa causa humana. É precisamente essa humanidade da máquina que torna Ghost in the Shell numa pequena obra-prima. Vejamos então até que ponto esta alma é ou não superara pela tecnologia e pelos feitiços dos efeitos especiais de hoje.

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