Agosto 18, 2019
insider

Berlim: O comunismo segundo o jovem Karl Marx

O que nos trará de novo um filme sobre Karl Marx?! O que o cineasta do Haiti Raoul Peck pretende explicar (ou relembrar) é de onde surgiram os fundamentos do manifesto do Partido Comunista neste muito bem conseguido The Young Karl Marx. Mas Peck é também o cineasta que pode muito bem ganhar o Óscar por I Am Not Your Negro, o documental em que se revivem os escritos e as memórias de James Baldwin sobre os atentados aos direitos civis nos EUA. Para ver também aqui em Berlim já esta quarta feira. Afinal de contas, dois filmes que marcam estes tempos, ou que chamam a atenção para os paradoxos do capitalismo e a insolência da raça. Estes são os dois grandes temas que me dominam, esclareceu na nossa entrevista o realizador ativista. Importantes eles são. Importa saber é se vão farão a diferença.

Estamos em 1844, numa altura em que o jovem Karl Marx (na composição muito consistente de August Diehl), ainda com 26 anos, conhece Friedrich Engls (Stefan Konarske), filho de um burguês dono da maquinofactura que lhe permitirá verificar a gritante diferença de classes criada pela Revolução Industrial. É claro que este filme não evita o seu lado de Ciência Política e um inevitável name droping da filosofia alemã, de Feuerbach e Hegel, bem como os idealistas, como Proudhon, de onde parte a inspiração para enfrentar esse capitalismo desumanizado. A eficácia de Peck consiste em passar a mensagem sem nos aborrecer com conversas inúteis. Isto graças ao guião bem urdido escrito de parceria entre Pack e Pascal Bonitzer.

Apesar desta ser a juventude de Marx – sim, ainda antes do famoso O Capital, que só viria a ser publicado vinte anos depois – é também o início da parceria com Engels e a definição da luta de classes. É esse período fértil influenciado pelo estudo de Engels sobre as condições dos trabalhadores ingleses, mas também onde se começam a perceber as diferenças entre os ambos; Engels, mais adepto da luta ativista; Marx, a pressentir a necessidade de um estudo mais profundo, como haveria de provar mais tarde nas obras posteriores. É neste clima que surgirá a figura do comunista, evoluindo do ‘comum’e da sociedade igualitária.

Atenção ao final, com a fusão do aplauso da criação do Partido Comunista com o genérico e o inconfundível tema de Bob Dylan, Like a Rolling Stone, a introduzir as imagens do crash de Wall Street, Che Guevara, Mandela, o Muro de Berlim, o movimento Ocupy Wall Street… Ou seja, ficamos já preparado para I Am Not Your Negro.

Festival de Berlim – Berlinale Special

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