Julho 18, 2019
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Berlim: Maior participação portuguesa de sempre marcada pela contestação. Mas não são todos

Petra Amaral e Paulo Portugal

Portugal está em força em Berlim com aquela que é a maior participação de sempre num dos mais prestigiados festivais do mundo, com vários filmes em competição. No entanto, paralelamente, diversas associações do setor marcam uma posição de força e contestação a uma alteração à lei do cinema e audiovisual que ainda não entrou em vigor. A consequência parece ser a recusa de vários cineastas em participar no evento organizado pelo secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, na embaixada portuguesa em Berlim. Tudo porque, de acordo com os próprios, estão esgotadas as (finitas) possibilidades de dialogar com Miguel Honrado relativamente à escolha dos júris dos concursos do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA). Mas há quem não tenha a mesma opinião, como sucede com a produtora Pandora da Cunha Telles, entre outros, que aceitarão o convite de Honrado.

Apesar de compreenderem os esforços da embaixada portuguesa na promoção da cultura nacional em território alemão, recusam-se a partilhar louros com o atual secretário de estado que, de acordo com as palavras do produtor Luís Urbano, «tem demonstrado uma posição ameaçadora para o futuro do cinema português». O pomo da discórdia reside na proposta de lei do governo (ainda não publicada) que prevê a revisão dos programas de apoio a obras financeiras, bem como os interesses e a participação dos canais privados de televisão nos concursos cinematográficos, o que, segundo os profissionais do cinema, levará à alteração das regras de participação e a uma depreciação dos requisitos para se ser jurado neste tipo de concursos (festivais).

Várias entidades ligadas às artes cinematográficas, garantem que farão valer a sua posição, estando, para isso, dispostos a escrever um abaixo-assinado, quer ao presidente da República, quer ao Primeiro-Ministro, que contará com assinaturas de agentes internacionais do cinema, pelo que essas mesmas assinaturas deverão ser recolhidas durante o festival de Berlim.

Ao que tudo indica, a proposta de lei deverá ser oficializada nas próximas semanas (caso não haja, realmente, mais nenhum diálogo entre o Ministério da Cultura e as associações portuguesas de autores), o que, certamente, servirá de ponto de rutura entre as sociedades de autores e o Estado português.

Recorde-se que a 69ª edição do festival de Berlim, que decorre de 9 a 19 do corrente, conta com uma muito significativa embaixada portuguesa. Nada menos que nove filmes. Para além da presença de Colo, de Teresa Villaverde, na Seleção Oficial a concorrer para o Urso de Ouro, bem como a co-produção luso-brasileira, Joaquim, de Marcelo Gomes, contam-se ainda 4 curtas igualmente em competição – Altas Cidades de Ossadas, de João Salaviza, Coup de Grâce, de Salomé Lamas, Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes, todos eles repetentes em Berlim, para além ainda de Cidade Pequena, do estreante Diogo Costa Amarante. Já na secção Fórum, a realizadora e artista visual Filipa César mostra Speell Reel, e na Generation KPlus, passa ainda Odd é um Ovo, de Kristin Ulseth, uma coprodução luso-norueguesa assinada por Luís da Matta Almeida. A isto se soma ainda a presença da atriz Victoria Guerra, selecionada para as Shooting Stars, bem como os realizadores Mário Patrocínio e Luís Campos, na Berlinale Talents, uma secção paralela do festival.

 

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