Novembro 14, 2019
insider

Assassin’s Creed: O regresso do assassino querido

Classificação: ***

Demos as boas vindas ao assassino querido naquela que é uma muito aguardada adaptação para cinema do famoso videojogo da Ubisoft. Para já, o que importa dizer é que o competente australiano Justin Kurzel conseguiu fazer a união feliz entre a trama e a ação do jogo com uma narrativa inspirada no produto virtual embora a honrar o género do cinema de ação.

O efeito até funciona, já que nos dá toda a exuberância do jogo. Ainda que aposte mais na ação direta e no parkour ao longo dos edifícios de várias cidades em diferentes períodos históricos, mas esquecendo-se um pouco do método silencioso de liquidar as vítimas, afinal de contas, uma componente decisiva do título na Ubisoft. Claro que o interesse é gerar uma nova franquia dominada por um cinema para encher o olho e, desejavelmente, os bolsos aos produtores com as aventuras deste herói encapuçado. Ainda assim, perante tantas e tão beras tentativas de adaptar videojogos para cinema – abstemo-nos até de as mencionar -, Assassin’s Creed até cumpre os mínimos olímpicos.

Após uma ação fatal, Michael Fassbender acorda de novo para a vida no laboratório da Fundação Abstergo, liderada por um glacial Jeremy Irons, pai da mais ingénua e bem-intencionada personagem interpretada por Marion Cotillard. E assim fica a saber que descende de uma linhagem de assassinos (os Hashashins), uma organização secreta com a missão de se opor ao poder da Ordem dos Templários.

Quem teve oportunidade de testar algum dos jogos recordar-se-á do programa Animus, que permite enviar os seus alvos ao passado com a missão de corrigir certos desajustes históricos. Neste caso, a equipa de argumentistas do filme desenvolveu uma trama simples e eficaz em que a personagem de Fassbender absorve a memória genética de um antepassado embarcando numa jornada até à Espanha do século XV. O objetivo é recuperar a Maçã de Éden, uma espécie de amuleto que contem o condão de salvaguardar o livre arbítrio e a possibilidade de eliminar a violência. Não deixa de ser um McGuffin curioso, à maneira de Hitchcock, já que tem a ousadia de se cruzar com a extrema violência, tão habitual nos videojogos, embora aqui com esta ousadia moral de a combater.

É claro que nada disto representa qualquer invenção da roda, embora surpreenda positivamente ao permitir a exibição visual do universo digital, honrando até parte da jogabilidade da famosa franquia, ainda que reserve o poder assumir uma identidade cinematográfica própria.

Resumindo, poderemos dizer que Assassin’s Creed é uma digna adaptação do videojogo, em que se revêm aqueles que o jogaram, mas não se esgota nessa premissa. Até porque Kurzel mantém acesa a força interpretativa assente no trio composto por Fassbender, como o vingador encapuçado, numa nova colaboração com Kurzel, depois de Macbeth, bem como a doce Cotillard e o enigmático Irons. E assim dizemos: game over ou missão cumprida. Ficando aberto o espaço para a franquia deste assassino querido.

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