Junho 16, 2019
insider

Os Melhores Filmes (que vimos) em 2016

 

As listas das estreias dos Melhores Filmes têm sempre aquela dose de um certo déjá vù, não só por se repetirem umas às outras, como também nos obrigarem a fazer um exercício de memória muitas vezes com mais de um ano. Isto para obedecermos àquela lei cega que diz que são os filmes estreados nesse ano. Por isso avançamos com a lista dos melhores filmes que vimos em 2016, mesmo que muitos deles acabem por estrear apenas em 2017, por termos visto em diversos festivais. Faz-se assim uma espécie de reviralho entre os que estrearam e os que não podemos perder. Ah sim, também vimos o La La Land… E depois?!

 

1 – Aquarius

de Kléber Mendonça Filho

Desde que o filme este filme do brasileiro Kléber Mendonça Filho passou em Cannes, em Maio passado, não conseguimos encontrar outro que nos comovesse e deslumbrasse em doses iguais. Depois das suas curtas e de O Som ao Redor, Kléber eleva-se com esta evocação nostálgica de Permambuco, antes de se transformar numa selva de pedra pré-Temer. Sim, o filme não abdica do seu gancho político, ainda que esse seja apenas uma fração dos seus méritos que têm na prestação de Sonia Braga o seu vértice, no papel de jornalista musical reformada mas para sempre ligada à sua morada de família, o Aquarius, em plena orla na Av. da Boa Viagem. Pelo meio, muito carinho cinematográfico, a tal nostalgia tão bem servida pela rica banda sonora a ecoar nas paredes daquele imóvel. Ah, também há térmitas…

2- Paterson

de Jim Jarmusch

Mais um da fornada de Cannes. Um Jarmusch vintage, pelo rigor formal, pela coerência poética e cromática. Como se de um haiku nipónico se tratasse. Perfeito e precioso. Mais nada.

3 – Cartas da Guerra

de Ivo Ferreira

Este não esteve em Cannes, mas em Berlim. Onde se mostrou ao lado dos melhores para o urso de Ouro. Mas esta dramatização por Ivo Ferreira das cartas de António Lobo Antunes elevou-se de tal maneira que ofuscou a concorrência. Um tempero ímpar da palavra a servir de narrativa ao “non” da Guerra do Ultramar. Foi na altura a nossa escolha. Nada mudou.

4 – Ma Vie de Courgette

de Gilles Paris

Melodrama adulto sobre pré-adolescentes em animação stop-motion? Sim, numa das mais intensas experiências do ano. Pela forma como por detrás destes bonecos patuscos está um rol de vidas em risco num orfanato e entretecidas pelo notável guião de Céline Sciamma, baseado num romance de Gilles Paris.

5 – Os Oito Odiados

de Quentin Tarantino

Tarantino entrou de rompante no início do ano, com um cinema de devoção com o tamanho e a expressão dos 70mm. Para centrar toda uma nação no espaço da sala de uma cabana de montanha. Ali se defrontam todos os seus demónios, influências, arquétipos e aquele gozo com que este eterno enfant terrible não se cansa de insuflar.

6 – Toni Erdmann

de Maren Ade

Desde que Toni Erdmann venceu categoricamente os Prémios do Cinema Europeu que não se tem falado deste drama travestido de comédia. Só que Toni foi outra das mais saborosas surpresas de Cannes, com a alemã Maren Ade a pedir adereços para fazer soltar a máscaras. Quem diria que Whitney Houston iria sugerir o feelgood do filme?

7 – Eu, Daniel Blake

de Ken Loach

Ken Loach foi o senhor Palma de Ouro, naquela que foi uma atribuição com um peso político que foi devidamente registado. A decisão de compromisso para manifestar talvez a imensa diversidade de opções para a Palma. Seja como for, um dos grandes filmes proletários. A provar que o cinema é também uma arma do povo.

8 – Boi Neon

de Gabriel Mascaro

Outro filme de 2015 (estreia mundial em Veneza) que merecia chegar ao seu público. Fortíssimo e muito sensual o cinema do brasileiro Gabriel Mascaro, talvez por se preocupar mais com aqueles que limpam o esterco dos bois do que os vaqueiros que os atiram ao chão. O sonho na lama também é sonho. E erotismo.

9 – Raw

de Julia Ducournau

As feridas do crescimento mordem uma caloira vegetariana convertida em predadora na mais fresca incursão no género gore a cargo da francesa Julia Ducournau.

10 – American Honey

de Andrea Arnold

A América de Donald Trump captada pela câmara realista da britânica Andrea Arnold à boleia num road movie com atores amadores e o pro Shia LaBeouf. Sim, para o bem e para o mal, é o filme desta geração.

 

 

A outra dezena

11 – Ela

de Paul Verhoeven

12 – Fogo no Mar

de Gianfranco Rosi

13 – Manchester by the Sea

de Kenneth Lonergan

14 – Your Name

de Makoto Shinkai

15 – Arrival

de Denis Villeneuve

16 – The Red Turtle

de Michael Dudok de Wit

17 – Childhood of a Leader

de Brady Corbet

18 – Birth of a Nation

de Nate Parker

19 – Hell or High Water

de David Mackenzie

20 – Zootopia

de Byron Howard e Rich Moore
Sobre Paulo Portugal 765 artigos
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