Outubro 27, 2020

Uma História Americana: não chega a vontade, Ewan…

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Ter-se-á questionado Ewan McGregor se teria capacidade, quando a hipótese de adaptar American Pastoral lhe caiu no colo? Ainda mais quando se tratava da sua estreia na realização e quando lhe caberia o papel principal. No mínimo, talvez, ter-se-á questionado. Não só porque se tratar de um dos romances (faz parte de uma trilogia) mais marcante do século passado, bem como por se tratar de uma das obras de referência de Philip Roth, um dos escritores americanos mais importantes do último século. Mas sobretudo pela evocação que faz da causa judaica nos EUA, algo que o escocês McGregor só conhecerá através do estudo.

No entanto, o problema desta História Americana é muito menos essa impreparação para lidar com o conteúdo, mas sim a ligeireza que se percebe e que só acentua o cuidado que deveria ter tido antes de se abalançar a tal empresa. O que faz McGregor é conduzir esse enorme barco como se lesse as instruções de comando ao mesmo tempo. Ou seja, sem veia, desinspirado, sem ideias e sem vontade de escutar os sinais que nos deram esses problemáticos e insatisfeitos anos 60. Talvez mais seduzido pelo lado heróico da sua personagem, Suede, um atleta all star tornado self made man numa América à beira do abismo. Jennifer Connelly cumpre o papel da dama, sua mulher, e mãe da jovem rebelde (Dakota Fanning) que cumprirá o destino de uma nação em profunda transformação e auto-avaliação.

O problema de Ewan é preocupar-se apenas em descrever o aspeto emocional das personagens, levando o filme a assumir um lado mais descritivo, mas sem nunca tornar American Pastoral no filme importante que deveria ser. Esse é o seu maior pecado.

 

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