Outubro 24, 2020

Hacksaw Ridge mostra Mel Gibson com sangue na guelra

Mel Gibson acrescenta uma nova dose de misticismo autoral à sua filmografia com esta evocação do quase milagre ocorrido na batalha Okinawa, uma das mais mortíferas da Segunda Guerra Mundial, em que o objetor de consciência Desmond Doss partiu para a linha da frente sem uma arma, acabando por salvar dezenas de feridos. Foi o filme escolhido para abrir o Lisbon & Estoril Film Festival. Vá-se lá saber porquê, já que “Hacksaw Ridge” nada acrescenta ao género. Está lá o sangue na guelra, tão a gosto de Gibson, e a violência, embora aqui com o véu do objetor. Ume espécie de Cristo, com a sua última tentação: “salvar só mais uma vida”.

Apesar de se tratar de um filme baseado numa história verídica, a verdade é que (quase) nada neste filme escapa a uma rotina mais ou menos formatada num amontoado de clichés com sabor a meia dúzia de fitas e seriados de guerra que retiram ao filme qualquer réstia de alma ou surpresa.

O filme até começa com uma calmaria antes da borrasca, mostrando-nos como o jovem Doss se transformou de uma criança violenta no objetor de consciência que haveria de ganhar a Medalha de Honra do Congresso. Andrew Garfield despiu o seu fato de lycra do Homem Aranha para envergar o uniforme de um outro super-herói – o tal soldado sem arma que foi de peito aberto para a batalha armado com uma bíblia.

É claro que durante a batalha, Gibson vinga-se com gloriosas cenas de sangue, pedaços de carne e muita tripalhada, como que para acentuar o papel do enfermeiro com uma causa. O problema é que chegados a esse momento do climax, já perdemos o interesse no seu destino. Quem sabe o que seria desta história nas mãos de outro, por exemplo, Clint Eastwood, que já fizera muito no semelhante “Cartas de Iwo Jima”.

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