Outubro 20, 2020

Doclisboa: Calabria e Ama-San vencem – portugueses em alta!

Há um pulsar de energia e saúde no documentarismo português que se refletiu na robusta mostra deste ano do Doclisboa ’16 tal como nos prémios em ambas as secções nacional e internacional. Desde logo, o surpreendente e cativante “Calabria”, do suíço Pierre-François Sauter, sobre uma dupla de agentes funerários que devolve da Suíça o corpo de um emigrante até à província italiana da Calábria, a sua terra natal. O mais curioso é que ambos os agentes são, eles próprios emigrantes, um português racionalista, só acredita no que vê, o José Russo, e Jovan, um descendente de ciganos sérvio, músico exímio que trocou uma vida confortável como músico em Belgrado para trabalhar na Suíça.

Do lado da competição nacional, foi o sereno documentário “Ama-San”, de Cláudia Varejão, que tem circulado por diversos festivais internacionais e que ganha em Lisboa este merecido prémio, ao recuperar esta singular comunidade de pescadoras japonesas de ouriços e vieiras numa remota ilha.

Por outro lado, “Correspondências”, de Rita Azevedo Gomes, sobre as palavras trocadas por carte entre Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena averbou o prémio Saramago. Ainda na competição nacional, “A Cidade Onde Envelheço”, da brasileira Marília Rocha, obteve o prémio Kino Sounf Studio, ao passo que o documentário “O Espetador Espantado”, de Edgar Pêra, ganho o prémio escolas ETIC. Já “As Cartas do Rei Artur”, sobre o artista plástico Cruzeiro Seixas, venceu o prémio do público referente ao melhor documentário português. Da secção Verdes Anos, de salientar as curtas nacionais “Pulse”, de Robin Petré, com o grande prémio, e “O Cabo do Mundo”, de Kate Saragaço-Gomes, com o prémio do júri.

Por fim, o prémio de Melhor Primeira Obra foi para o sírio “300 Miles”, de Orwa el Mokdad, sobre a realidade da guerra em Daraa e Aleppo. E a menção honrosa à média metragem “Sol Negro”, da colombiana Laura Hueryas-Millán. O prémio SPA foi ainda entregue à curta de estreia do marroquino Ilias el Faris, “Azayz”, sobre o espanto do surf de um miúdo pescador nas praias de Marrocos; o prémio Público da melhor curta foi para “Downhill”, de Miguel Faro, sobre a geração skater.

Palmarés Doclisboa ‘16

Competição Internacional

“Calabria”, de Pierre-François Sauter – Grande Prémio Cidade de Lisboa

Menção Honrosa “Sol Negro”, Laura Huertas-Millan

Prémio SPA da Competição Internacional

“Azayz”, Ilias El Faris

Competição Transversal

Prémio José Saramago – para o melhor filme falado em português, galego ou crioulo de origem portuguesa transversal a Competições e Riscos.

“Correspondências”, Rita Azevedo Gomes

Prémio FCSH para Melhor Primeira Obra transversal a Competições e Riscos

“300 Miles”, de Orwa El Mokdad (Síria, Líbano)

Prémio Jornal Público para melhor curta-metragem transversal a Competições e Riscos.

“Downhill”, de Miguel Faro

Prémio do Público
Prémio RTP para melhor filme português transversal a Competições, Riscos, Heart Beat e Da Terra à Lua

“Cruzeiro Seixas – As Cartas do Rei Artur”, de Cláudia Rita Oliveira

Competição Nacional

Prémio Ingreme / Doclisboa para Melhor Filme da Competição Portuguesa

“Ama-San”, de Cláudia Varejão

Prémio Kino Sound Studio do Júri da Competição Portuguesa

“A Cidade Onde Envelheço”, de Marília Rocha

Prémio Escolas ETIC — para melhor Filme da Competição Portuguesa

“O Espectador Espantado”, de Edgar Pêra

Verdes Anos

Grande Prémio La Guarimba

“Pulse”, de Robin Petré

Prémio Especial do Júri

“O Cabo do Mundo”, de Kate Saragaço-Gomes

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