Dezembro 7, 2019
insider

Cannes: Em ‘Paterson’ Jim Jarmusch dá lição com filme de culto

Jim Jarmusch regressou ao um tipo de cinema mais contido, mais alinhado com as suas primeiras obras, naquele que será criou o exemplo mais acabado de um filme-poema. Expliquemo-nos. Paterson abre com as primeiras estrofes de um poema de William Carlos Williams, que fala de poesia e da vida. E assim conhecemos Paterson (Adam Driver), que vive com a sua meticulosa mulher Laura (Golshifteh Farahani).

A sua vida está organizada de forma a que vivam com pouco. Enquanto Paterson é o ‘Driver’ (a escolha de Adam não terá sido casual) que faz o giro de motorista de autocarro pela cidade de Paterson, Laura faz cupcakes em casa que venderá. Quando regressa, Paterson vai passear o seu cão Marvin e aproveita para passar pelo bar local para beber um copo e dar duas de conversa com os amigos. A sua vida é agradável e sem surpresas.

Assim é também o cinema de Jarmusch, conciso, contido, como os poemas de Paterson. No fundo, como as formas circulares das cortinas pretas e brancas de Laura, e dos seus bolos também com essa forma e tons. Quando Peterson interpela uma garota que escreve um poema, percebemos que essa narrativa já começara antes e está a cumprir-se nesse momento no acerto do guião e na contenção de tudo.

Por fim, Paterson, que vive em Paterson até encontra um estranho oriental que lhe oferece um livro, onde irá nascer a história de Paterson. É então esta circularidade que nos cativa, bem como a simplicidade de um anagrama. Ou a verdade contida num moderno poema haiku. Por isso, Paterson, não é um filme. É um maravilhoso poema.

“I started to make trips to the area. I walked around the streets; I went on Sundays in summer when the people were using the park, and I listened to their conversation as much as I could. I saw whatever they did, and made it part of the poem.”

Paterson foi um dos melhores filmes em Cannes este ano, injustamente esquecido por um júri acéfalo.

Sobre Paulo Portugal 817 artigos
Insider Cinema, festivais, entrevistas e críticas. E algo mais.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*


Google Analytics