Abril 25, 2019

45 Anos: com a elegância de Charlotte Rampling e sem perder a alegria de viver

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E se durante os preparativos da comemoração dos 45 anos de casado, o marido recebe uma notícia com mais de meio século que deixa a mulher com ciúmes de uma defunta? No caso do filme de Andrew Haigh, isso é bom sinal. Pois é o que sucede às personagens que brotam do casal formado pelos atores Charlote Rampling e Tom Courtenay. Ao contrário do que sucedera com o filme de abertura, em que foram esbanjados meios e timing narrativo, aqui tudo é gerido com a devida parcimónia e com um retorno em bom gosto, intensidade narrativa e emoção.

Em menos de 10 minutos já Haigh nos apresentara Geoff e Kate, dois septuagenários que não perderam a alegria de viver como um casal. Em plena semana de preparação para a grande festa, Geoff recebe uma carta em que fica a saber que o corpo da sua namorada que morrera 50 anos antes num acidente de esqui nos Alpes suíços fora encontrado em perfeito estado de conservação. Um turbilhão de emoções acabará por modificar a vida destes dois. Uma sensação de conforto tão antecipado acaba por nos transmitir um inesperado bem estar que necessariamente nos conduzirá a bom porto.

Haigh mostra-se à vontade num cinema feito simplicidade, apesar de muito ajudado por este par de atores, que tem em Courtenay um inesperado expoente, sobretudo quando tem a seu lado uma Rampling que nos habituou a à sua serena qualidade.

Por certo um filme que motivará obrigatórias comparações a Amor, de Haneke, embora nos apeteça dizer que em nada lhe fica atrás. Mesmo que falhe esse reconhecimento. Mesmo quando há revelações que são suficientes para permitir um final de angustiante intensidade. Um caso sério de um pequeno grande filme.

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